Nas cidades próximas ao Distrito Federal, como Luziânia e Cidade Ocidental, o Corpo de Bombeiros tem registrado um aumento preocupante de ocorrências, especialmente relacionadas a salvamentos e queimadas. Somente entre julho e agosto, foram recebidas 870 chamadas, sendo 168 atendimentos de salvamento. Entre esses registros, 334 envolveram incêndios, a maioria provocada por queimadas, números que refletem o desafio diário enfrentado pelas equipes e os riscos para a população.

Dados do informativo do CIMEHGO mostram que, na quarta semana de agosto de 2025, a Região Centro-Oeste de Goiás apresentou um aumento de 6% no número de focos de queimadas em relação ao mesmo período de 2024. No acumulado do mês, foram registrados 119 focos de queimadas em 2025, comparados a 157 em 2024, indicando uma redução no total mensal, embora os focos tenham mostrado tendência de aumento no curto prazo. O relatório também destaca que condições climáticas, como umidade do solo e precipitação, influenciam o comportamento das queimadas.

Com queimadas constantes, exige equipes espalhadas por todo o Entorno do DF. Foto: Reprodução/ Corpo de Bombeiros.

Segundo os bombeiros, além de danificar o meio ambiente, a fumaça gerada pelas queimadas pode causar problemas respiratórios, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. A corporação orienta que a população adote cuidados específicos para reduzir riscos: evitar qualquer tipo de queima ao ar livre, manter terrenos limpos e livres de material inflamável, observar o clima e a direção do vento antes de acender fogueiras e nunca descartar cigarros ou fósforos em áreas de vegetação seca. Em caso de incêndio, a recomendação é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo número 193 e se afastar da fumaça e das chamas.

“Prevenir é a melhor forma de proteger vidas e preservar os recursos naturais da região. Cada cidadão tem papel fundamental nesse cuidado”, reforçam os bombeiros.

O médico pneumologista Ricardo Martins do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), explica que a baixa umidade do ar acarreta alterações significativas no meio ambiente, como a concentração de névoa seca, o que gera acúmulo de poeiras em suspensão, fumaça dos automóveis e partículas oriundas das queimadas, prejudicando a qualidade do ar. “Viver num ambiente de baixa concentração de água e de alta concentração de partículas poluentes no ar que respiramos têm múltiplos efeitos negativos no corpo humano. Entre eles estão a instabilidade da pressão arterial, o sangramento nasal, a conjuntivite, dores de cabeça, e sensações de desânimo, fraqueza e mal-estar. Também ocorre o aumento da perda de água pela via respiratória, o ressecamento da via aérea respiratória, e a formação de crostas no trato respiratório”.