Implosão do Torre Palace marca fim de prédio abandonado no centro de Brasília
22 janeiro 2026 às 13h55

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O prédio do Torre Palace, no centro de Brasília, será implodido neste domingo (25). A demolição acontece depois de mais de 12 anos de abandono e de um processo judicial que se arrastou por anos. A ação já havia sido prevista para dezembro do ano passado, mas foi adiada após uma recomendação do Exército.
A implosão está prevista para ocorrer às 10h, após um aviso sonoro. O serviço será realizado pela empresa RVS Construções. O edifício está fechado desde 2013 e foi adquirido por um grupo econômico ligado ao setor hoteleiro, que pretende construir um novo empreendimento no local.
Por causa da operação, três hotéis localizados a cerca de 100 metros do prédio serão evacuados entre 6h e 8h da manhã. Também estão previstas mudanças no trânsito, retirada de veículos estacionados nas proximidades e restrição da circulação de pedestres em áreas próximas.
De acordo com o Governo do Distrito Federal, haverá desligamento programado da energia elétrica e interrupção do fornecimento de água no Torre Palace. A liberação da área ao redor está prevista para depois das 10h30, desde que todas as condições de segurança sejam confirmadas.
Histórico do prédio
O Torre Palace funcionou por cerca de 40 anos. A situação começou a se agravar após a morte do empresário libanês Jibran El-Hadj, fundador do hotel, nos anos 2000. A esposa e os seis filhos herdaram o patrimônio, avaliado na época em R$ 200 milhões.
Com divergências entre os herdeiros, parte da família recorreu à Justiça. Em 2007, três filhos deixaram a sociedade e pediram a divisão da herança, estimada em R$ 51 milhões, valor que seria obtido com a venda do imóvel para uma construtora.
A empresa chegou a antecipar R$ 17 milhões aos herdeiros que permaneceram na sociedade, mas o prédio foi penhorado antes da conclusão da venda.
O hotel encerrou as atividades em 2013. Dois anos depois, em estado de abandono, o local passou a ser ocupado por usuários de drogas e pessoas em situação de rua. O prédio sofreu vandalismo, com vidros quebrados, pichações e danos na fachada.
Em 2016, o Governo do Distrito Federal realizou uma operação para retirar os ocupantes. A ação durou cerca de 40 minutos e envolveu aproximadamente 200 policiais do Batalhão de Choque e do Bope, além do uso de helicópteros, balas de borracha e bombas de efeito moral.
O custo da operação foi de R$ 802,94 mil. O valor não foi recuperado e seria cobrado judicialmente dos proprietários. Mesmo assim, o imóvel permaneceu sem definição legal, impedido de ser restaurado, vendido ou demolido.
Leilões e impasse judicial
Em 2019, a Justiça do Distrito Federal negou um pedido de demolição e determinou que os herdeiros realizassem a manutenção do prédio, o que, segundo o GDF, não ocorreu.
Em 2020, o Torre Palace foi levado a leilão, avaliado em R$ 35 milhões, mas não recebeu lances. A venda havia sido determinada pela Justiça do Trabalho para quitar dívidas trabalhistas de ex-funcionários.
Em uma nova tentativa, em dezembro do mesmo ano, o prédio foi arrematado por R$ 17,6 milhões pela empresa RBS Administração de Imóveis LTDA. Posteriormente, a empresa desistiu da compra, com autorização da Justiça.
Após novas decisões judiciais, foi autorizada a demolição do edifício, encerrando um impasse que durou mais de uma década.
