O Metrô do Distrito Federal enfrenta um cenário de estagnação após cerca de 15 anos sem investimentos considerados expressivos. Usuários relatam superlotação, falhas constantes e precariedade no serviço, especialmente nos horários de pico. Nesta sexta-feira (17), trem quebrou na Estação Arniqueiras, em Águas Claras e as pessoas precisaram descer.

Dados operacionais mostram a dimensão da demanda: cerca de 142 mil passageiros utilizam o sistema em dias úteis. Aos sábados, o fluxo médio é de 77 mil usuários, enquanto aos domingos gira em torno de 50 mil. Mesmo com esse volume, o número de trens em circulação varia ao longo do dia. Segundo o Metrô-DF, até 22 trens operam nos horários de pico, enquanto no período de menor movimento, como à noite, esse número pode cair para apenas oito.

Para passageiros, a conta não fecha. Relatos apontam que a oferta de trens é insuficiente para atender a demanda crescente, resultando em vagões lotados, longas esperas nas plataformas e viagens marcadas por desconforto.

“Está tudo sucateado, precisa de trens novos”, afirmou uma usuária. Outro passageiro descreve a rotina como “caótica”, com trens antigos, superlotação e episódios de pessoas passando mal dentro dos vagões, principalmente em períodos de calor e seca.

Além das críticas ao funcionamento do metrô, há também questionamentos sobre a condução de obras de mobilidade no DF. Outro usuário afirma que houve sucateamento do sistema e desvalorização dos trabalhadores, o que, segundo ele, impacta diretamente na qualidade do serviço prestado à população. Já um outro relato aponta sensação de abandono: “O metrô parou… e a gestão também”, diz, ao criticar a falta de avanços na mobilidade urbana.

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Arruda critica a atual gestão pela falta de investimentos no Metrô-DF. Foto: Reprodução

No campo político, o pré-candidato ao Governo do DF José Roberto Arruda afirma que, durante sua gestão, o sistema foi ampliado até Ceilândia e Samambaia, com a compra de 48 trens. Ele critica a ausência de novos aportes desde então e atribui a deterioração atual à falta de prioridade por parte das gestões seguintes.

Arruda também defende a expansão do metrô para outras regiões administrativas e cidades do Entorno. Segundo ele, recursos estimados em R$ 16 bilhões, que associa Caso Master, seriam suficientes para ampliar a malha até áreas como Águas Lindas, Valparaíso, Luziânia, além de regiões como Gama, Santa Maria, Recanto das Emas, Riacho Fundo II, Condomínio Privê, Sobradinho e Planaltina. O pré-candidato também cita a possibilidade de levar o metrô até a Asa Norte, demanda antiga de moradores do Plano Piloto.

Enquanto propostas e críticas se intensificam no debate público, usuários seguem enfrentando dificuldades diárias em um sistema que, apesar de transportar milhares de pessoas todos os dias, ainda não acompanhou o crescimento da população nem a necessidade por um transporte público mais eficiente e confortável.