A possível delação de Paulo Henrique Costa, ex-dirigente do Banco de Brasília (BRB) passou a preocupar aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) em meio ao avanço das investigações envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. O caso ganhou repercussão nos bastidores políticos de Brasília após surgirem informações sobre ligações entre o banqueiro e o entorno do parlamentar.

Segundo interlocutores próximos, Flávio Bolsonaro teria realizado conversas reservadas com aliados para assegurar que não há novos fatos comprometedores capazes de surgir até as eleições. O senador também buscou tranquilizar seu entorno após a repercussão envolvendo sua relação até então pouco conhecida com o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

Financiamento de mansão entrou no radar de aliados

Paulo Henrique Costa está preso em meio às investigações relacionadas ao escândalo do Banco Master. O temor entre aliados de Flávio Bolsonaro é que, durante uma eventual negociação de delação, o ex-presidente do BRB seja pressionado a detalhar informações sobre um financiamento de R$ 3,1 milhões concedido ao senador em 2021.

O valor foi utilizado para a compra de uma mansão avaliada em cerca de R$ 6 milhões no Lago Sul, área nobre de Brasília. À época, o financiamento chamou atenção pelas condições oferecidas: taxa de juros de 3,71% ao ano, abaixo da média praticada pelo mercado e pelo próprio BRB naquele período, estimada em aproximadamente 4,85%.

Na ocasião, Flávio Bolsonaro afirmou possuir capacidade financeira para arcar com o financiamento e declarou renda mensal de cerca de R$ 56 mil, proveniente do salário no Senado e de outras fontes de receita.

Temor na ampliação das investigações

De acordo com informações apuradas nos bastidores políticos, Paulo Henrique Costa já estaria em fase de pré-negociação para um possível acordo de delação.

A avaliação entre aliados do senador é que Costa poderia buscar apresentar elementos diferentes daqueles eventualmente oferecidos por Daniel Vorcaro às autoridades. Nesse contexto, o histórico do financiamento imobiliário poderia voltar ao centro das investigações.

O receio é que, pressionado pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, o ex-presidente do BRB adote uma linha de colaboração que provoque desgaste político para Flávio Bolsonaro.

Paulo Henrique Costa chegou à presidência do BRB após indicação atribuída ao senador Ciro Nogueira, aliado próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nos bastidores, integrantes do grupo político de Flávio Bolsonaro avaliam que uma eventual delação não representaria necessariamente um fato decisivo contra o senador, mas poderia ampliar o desgaste político e gerar nova rodada de questionamentos públicos durante o período eleitoral.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, sustenta que o financiamento é pago regularmente e nega qualquer irregularidade envolvendo a operação.