Frio aumenta casos de doenças respiratórias no DF e vacinação contra gripe segue abaixo da meta
08 junho 2026 às 12h13

COMPARTILHAR
Por Cintia Ferreira
As baixas temperaturas registradas nas últimas semanas no Distrito Federal acenderam o alerta das autoridades de saúde para o aumento das doenças respiratórias. Mesmo antes da chegada oficial do inverno, o frio já contribui para a maior circulação de vírus e para o crescimento dos atendimentos relacionados a síndromes gripais na rede pública de saúde.
Segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), até maio deste ano foram registrados 82.795 atendimentos por síndromes gripais, incluindo casos de Influenza A e B, Vírus Sincicial Respiratório (VSR), rinovírus e covid-19. Embora o número seja inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando houve 140.736 atendimentos, especialistas reforçam a necessidade de atenção, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.
O alerta se intensifica diante da baixa adesão à vacinação contra a gripe. Dados da SES-DF mostram que 460.847 doses da vacina contra Influenza foram aplicadas até o momento, mas a cobertura vacinal entre os grupos prioritários alcançou apenas 40,21%, muito distante da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde.
Entre os públicos considerados prioritários, a cobertura está em 48,27% entre gestantes, 44% entre idosos e apenas 30,93% entre crianças. A vacinação segue disponível exclusivamente para esses grupos nas unidades de saúde da capital.
Além dos casos de síndromes gripais, o Distrito Federal também apresenta cenário de atenção para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), todas as unidades da Federação, incluindo o DF, estão em situação de alerta, risco ou alto risco para doenças respiratórias. Na capital federal, mais de 2,9 mil casos de SRAG já foram registrados em 2026, com 16 mortes associadas à doença.
O médico pneumologista William Schwartz, coordenador de pneumologia do Hospital Santa Lúcia, explica que a combinação entre temperaturas mais baixas e maior permanência das pessoas em ambientes fechados favorece a transmissão dos vírus respiratórios.
“Com o frio, as pessoas tendem a permanecer mais próximas umas das outras, aumentando a circulação de vírus como Influenza, covid-19 e o Vírus Sincicial Respiratório”, destaca o especialista.
Pacientes com doenças pulmonares crônicas, como asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), além de crianças pequenas, idosos e gestantes, fazem parte dos grupos com maior risco de agravamento. Em alguns casos, as infecções podem evoluir para quadros mais graves, como pneumonias bacterianas e bronquiolites.
Hospitais registram aumento da procura
Nas unidades de saúde, o reflexo do período já pode ser observado. No Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), famílias buscam atendimento para crianças com sintomas respiratórios persistentes.
Foi o caso do pequeno Ravi Rios, de 3 anos, morador do Jardim ABC, que apresentou febre, coriza e tosse. Após atendimento inicial em outra unidade de saúde, a família procurou novamente assistência médica diante da persistência dos sintomas.
Situação semelhante viveu a dona de casa Daiane Lima, de 26 anos, moradora do Novo Gama. Ela levou a filha Antonella, de 1 ano e 9 meses, ao hospital após uma semana de sintomas gripais e fortes dores de ouvido.
Como se proteger
Especialistas reforçam que a vacinação continua sendo a principal ferramenta de proteção contra formas graves da gripe e outras complicações respiratórias.
Além da imunização, medidas simples ajudam a reduzir os riscos de contágio, como manter ambientes ventilados, higienizar frequentemente as mãos, evitar aglomerações e procurar atendimento médico diante dos primeiros sinais de agravamento dos sintomas.
A Secretaria de Saúde do DF reforça que a vacinação segue disponível para os grupos prioritários nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e destaca que, neste momento, não há previsão de ampliação da campanha para o público em geral.
Com a previsão de noites frias e tempo seco nas próximas semanas, a orientação é que a população redobre os cuidados para evitar o avanço das doenças típicas desta época do ano.
