Uma jovem que estava desaparecida desde a última segunda-feira (17) foi encontrada amordaçada, acorrentada e presa a uma cama dentro de uma casa em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. O resgate ocorreu na sexta-feira (21), após uma operação da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) da Polícia Militar de Goiás (PMGO).

O ex-companheiro da vítima, Ailton Rodrigues de Souza, foi preso em flagrante e, neste sábado (22), teve a prisão convertida em preventiva pela Justiça de Goiás. Ele é investigado por sequestro, cárcere privado, violência sexual e outros crimes relacionados ao caso.

Segundo a PMGO, a família procurou a polícia após o desaparecimento da jovem. Durante as buscas, os policiais identificaram indícios de que o ex-companheiro poderia estar envolvido no caso.

Os investigadores descobriram que Ailton havia alugado, dias antes, um imóvel no Setor Jardim América 3, em Águas Lindas de Goiás. A residência estava fechada com tapumes e apresentava proteção externa.

Durante a averiguação, os policiais ouviram ruídos vindos do interior da casa e decidiram entrar no imóvel. Em um dos quartos, encontraram a jovem presa à cama.

De acordo com a corporação, ela estava amordaçada e tinha os braços, pernas e pescoço restringidos por cordas, algemas e correntes. A vítima também apresentava dificuldades respiratórias e sinais de falta de oxigenação.

Ainda segundo a polícia, a jovem era obrigada a usar uma máscara de gás para impedir que os vizinhos ouvissem os gritos. Ela relatou aos policiais que havia sido estuprada diversas vezes durante o período em que permaneceu em cárcere.

No imóvel, os agentes encontraram alimentos e água armazenados em quantidade que, segundo a PM, indicava que o suspeito poderia ter planejado manter a vítima presa por mais tempo.

Após a prisão em flagrante, a Justiça de Goiás decidiu converter a detenção de Ailton Rodrigues de Souza em prisão preventiva neste sábado (22). A decisão foi tomada pelo juiz Cristian Assis, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Ceres, durante audiência de custódia. Segundo o magistrado, o investigado teria submetido a vítima a “ameaças reiteradas, constrangimento físico e restrição da liberdade”.

A defesa pediu a concessão de liberdade provisória, com a aplicação de medidas cautelares. O pedido, porém, foi negado. Para o juiz, as medidas seriam insuficientes diante da gravidade das circunstâncias investigadas.

Vítima relata agressões

Após ser resgatada, a vítima, identificada como Emiliane Tamara Nunes Carvalho, publicou um vídeo nas redes sociais em que agradeceu o apoio recebido e pediu justiça.

Emiliane afirmou que já havia recebido alta médica e estava em casa. Com os olhos inchados e marcas aparentes de agressão, ela contou parte do que teria sofrido durante o período em que ficou presa. Segundo a jovem, o relacionamento com Ailton terminou em dezembro de 2025, mas ele não teria aceitado a separação. “Estou muito ferida”, afirmou a vítima no vídeo. Ela também relatou ter sofrido agressões com ácido e disse que o ex-companheiro colocava panos com a substância em sua boca.

Como ocorreu o desaparecimento

De acordo com a investigação, Emiliane era considerada desaparecida desde segunda-feira (17), quando saiu de casa para uma consulta e não retornou.

A PM informou que a jovem teria sido sequestrada pelo ex-companheiro depois de sair de um comércio. A partir da análise de endereços relacionados ao suspeito, os policiais chegaram ao imóvel onde ela estava sendo mantida.

Durante a abordagem, Ailton teria tentado fugir e resistido à prisão, mas acabou detido. No cativeiro, os policiais apreenderam um carro, uma arma de fogo, algemas, cordas, correntes e sedativos.

O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil de Goiás.