O debate entre os candidatos ao governo do Distrito Federal foi marcado por um confronto acalorado entre a governadora Celina Leão (PP) e o ex-interventor federal Ricardo Cappelli (PSB). A discussão começou com críticas ao transporte público e terminou com ataques pessoais, referências à crise de 8 de janeiro de 2023 e menções a disputas judiciais entre os dois.

Cappelli iniciou o argumento sobre mobilidade urbana apresentando seu cartão de transporte e criticando o tempo gasto pelos passageiros nos deslocamentos entre as regiões administrativas e o Plano Piloto. “Eu não faço parte dessa panelinha política aqui do Distrito Federal, histórica, que não deu resultado. O que eu estou vendo nas cidades são pessoas passando 2 horas, 2 horas e meia para sair do Araponga, para sair de Brazlândia, para sair do Sol Nascente e chegar ao Plano para trabalhar. Eu estou vendo as pessoas dizendo que se cansam mais no transporte do que no trabalho”, afirmou.

O candidato também convidou Celina para acompanhar a rotina dos passageiros e percorrer, de ônibus, trajetos entre regiões do DF. “Queria lhe fazer um convite, ver se a senhora aceita, amanhã às 5h, ir para a rodoviária de Brazlândia comigo, ir para o Araponga, ir para o Sol Nascente, para sofrer o que as pessoas estão sofrendo no trânsito”.

Na resposta, Celina defendeu investimentos em infraestrutura e afirmou que a atual gestão tem projetos para ampliar a rede de transporte. Entre as propostas citadas estão estudos para um novo trecho do metrô até o Recanto das Emas, Riacho Fundo 1 e 2 e Gama, além do BRT Norte.

A governadora também criticou administrações anteriores do PSB no Distrito Federal e apresentou a tarifa zero como uma das propostas para o transporte público. “Na época do governo que o senhor representa, do partido que o senhor representa, do PSB, nós tínhamos pontes caídas, faltava água, candidato. O senhor tem que andar mesmo, tem que ouvir as histórias da tragédia que foi o governo do PSB aqui. No nosso governo vamos implementar tarifa zero. Sou defensora do transporte público desde meu primeiro mandato e agora como governadora, nós pedimos auditoria no primeiro dia e nós vamos fazer um estudo para implementar no governo tarifa zero.”

Cappelli critica proposta de estudo

Cappelli ironizou a promessa de realização de um estudo para implementar a tarifa zero, lembrando que o grupo político ligado ao governador Ibaneis Rocha está há quase oito anos no comando do DF.

O candidato também prometeu reduzir o tempo de deslocamento dos trabalhadores e defendeu a criação de linhas expressas, faixas exclusivas para ônibus e a expansão do metrô. “Depois de 8 anos de governo dela e do Ibaneis, a proposta dela é um estudo. Por fim, governadora, vamos sentir a dor da população, larga os seguranças, vamos amanhã às 5h da manhã, escolhe um terminal de ônibus, vamos pegar o ônibus junto”, afirmou.

Cappelli disse ainda que, em um eventual governo, pretende garantir que o passageiro não leve mais de uma hora no trajeto entre casa e trabalho.

Celina resgata 8 de janeiro e cita decisão judicial

Celina voltou a defender as obras realizadas pela atual gestão, como terminais de ônibus e viadutos, e elevou o tom do confronto ao mencionar a atuação de Cappelli durante a crise de 8 de janeiro de 2023. “O senhor acha que o senhor é o herói do dia 8 de janeiro, candidato? O senhor é o bobo da corte do dia 8 de janeiro”, atacou.

A governadora também afirmou ter vencido uma ação judicial movida contra Cappelli e acusou o adversário de misoginia e violência política por publicações feitas nas redes sociais. “Eu já ganhei, candidato, uma ação do senhor por misoginia, violência política, devido ao senhor nos tipificar nas suas redes. Aqui no debate, o senhor fica mansinho, mas nas redes sociais tenta nos atacar todo dia”. Logo em seguida, Capelli contesta a acusação.