Jovens avançam nos investimentos, enquanto idosos ainda têm dificuldade para poupar em Goiás
06 setembro 2026 às 13h00

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O comportamento financeiro dos goianos revela uma diferença cada vez mais evidente entre as gerações. Enquanto os jovens ampliam a participação no mercado de investimentos, pessoas mais velhas ainda enfrentam dificuldades para guardar dinheiro, montar uma reserva de emergência e planejar a aposentadoria.
Em Goiás, pessoas entre 25 e 39 anos representam cerca de 47% a 49% dos investidores cadastrados na capital, segundo dados da B3. O movimento acompanha uma tendência observada em outras regiões do país e está relacionado ao maior acesso dos jovens a informações, plataformas digitais e diferentes produtos financeiros.
O cenário, no entanto, é bastante diferente entre as gerações mais velhas. Dados do Raio X do Investidor Brasileiro, produzido pela ANBIMA em parceria com o Datafolha, mostram que 65% dos chamados Boomers, nascidos entre 1946 e 1964, não utilizam ou não conhecem nenhum produto de investimento.
Entre os Millennials, nascidos entre 1981 e 1996, e a Geração Z, de 1997 a 2010, a pesquisa aponta maior diversificação dos investimentos e uma presença mais consistente de reservas para emergências.
Maioria dos brasileiros ainda está fora dos investimentos
O levantamento mostra que o desafio não está restrito às gerações mais velhas. Apenas 36% da população brasileira é considerada investidora, enquanto 64% ainda estão fora do mercado financeiro.
Entre os mais velhos, a situação é ainda mais preocupante: 62% afirmam não guardar dinheiro.
Para o especialista em investimentos Marco Loureiro, sócio e líder da XP no Centro-Oeste, a diferença entre as gerações representa um alerta para o planejamento financeiro de longo prazo. “Estamos diante de uma inversão relevante. Tradicionalmente, esperaríamos que as gerações mais velhas estivessem mais preparadas financeiramente, mas o que os dados mostram é o contrário: elas são hoje as mais vulneráveis. Isso acende um alerta importante sobre planejamento de longo prazo no Brasil”, afirma.
Segundo Loureiro, o avanço dos jovens no mercado financeiro é positivo, mas não significa que essa parcela da população esteja totalmente preparada. “Os jovens estão mais conectados, têm mais acesso à informação e já começam a investir de forma mais diversificada. Mas isso não significa que estão totalmente preparados. O grande ponto é usar esse movimento para acelerar a educação financeira em todas as idades, especialmente entre quem está mais próximo da aposentadoria”, diz.
Troca entre gerações pode ajudar no planejamento
Para o especialista, uma das alternativas está dentro das próprias famílias. A troca de conhecimentos entre pais, filhos e avós pode ajudar a reduzir as diferenças de comportamento financeiro.
Os mais jovens, segundo Loureiro, têm maior familiaridade com plataformas digitais e acesso a informações sobre investimentos. Já as gerações mais velhas acumulam experiência, disciplina e conhecimento sobre controle de gastos.
“Existe uma oportunidade clara de aprendizado mútuo. Os mais jovens podem aprender sobre disciplina e visão de longo prazo, enquanto os mais velhos podem se beneficiar da diversificação e do conhecimento sobre o uso de novas ferramentas. Quando essa troca acontece dentro das famílias, o impacto é muito poderoso.”
O planejamento para a aposentadoria, porém, ainda está distante da realidade da maior parte da população. Segundo a pesquisa, apenas 16% dos brasileiros começaram a guardar dinheiro especificamente para essa finalidade.
O dado aumenta a preocupação com o futuro de milhões de pessoas que podem chegar à velhice dependendo principalmente da Previdência Social.
Dicas para construir uma vida financeira sólida
Para Loureiro, independentemente da idade, algumas medidas podem ajudar na construção de uma vida financeira mais equilibrada:
1. Começar o quanto antes
Organizar o orçamento, controlar os gastos e começar a investir são os primeiros passos, mesmo que os valores sejam pequenos.
2. Criar uma reserva de emergência
O dinheiro destinado a imprevistos ajuda a evitar o endividamento e permite que os investimentos de longo prazo sejam mantidos.
3. Ter disciplina e pensar no longo prazo
A construção de patrimônio depende mais de consistência do que de ganhos rápidos. Renda fixa, fundos e previdência podem fazer parte dessa estratégia, de acordo com o perfil do investidor.
4. Aproveitar o tempo
Quanto mais cedo uma pessoa começa a investir, maior é o período para que os juros compostos contribuam para o crescimento do patrimônio.
5. Diversificar os investimentos
Concentrar todo o dinheiro em um único investimento pode aumentar os riscos. A diversificação é uma estratégia importante para diferentes perfis e idades.
6. Planejar a aposentadoria
Deixar essa decisão para os últimos anos da vida profissional pode dificultar a formação de uma renda complementar. O planejamento deve começar com antecedência.
Previdência privada pode complementar aposentadoria
Além dos investimentos tradicionais, Loureiro destaca a previdência privada como uma alternativa para quem busca construir uma estratégia de longo prazo. “Além dos investimentos tradicionais, produtos de previdência privada, como PGBL e VGBL, também podem funcionar como ferramentas complementares no planejamento de longo prazo. As modalidades permitem acumular recursos ao longo do tempo com foco na aposentadoria e podem oferecer benefícios tributários, dependendo do perfil e da forma de declaração do Imposto de Renda.”
Segundo o especialista, a escolha entre PGBL e VGBL deve considerar fatores como renda, objetivos financeiros, tributação e planejamento sucessório.
O contraste entre as gerações mostra que o desafio financeiro brasileiro vai além de simplesmente investir. Para especialistas, ampliar o acesso à informação, estimular o hábito de poupar e aproximar diferentes gerações são caminhos para reduzir a vulnerabilidade financeira e preparar a população para o futuro.
