BRB nega risco de intervenção e diz ter patrimônio suficiente para enfrentar investigações
20 janeiro 2026 às 16h14

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O Banco de Brasília (BRB) informou, nesta segunda-feira (19), que não há risco de intervenção na instituição. Segundo o banco, há patrimônio suficiente para lidar com os impactos das investigações que envolvem o Banco Master. A informação foi divulgada após notícias apontarem uma suposta necessidade urgente de capital.
De acordo com o BRB, os valores relacionados a possíveis prejuízos ainda estão sendo apurados por auditoria independente e pelo Banco Central. Por esse motivo, o balanço do terceiro trimestre não foi divulgado, e não existem dados públicos atualizados sobre a situação financeira da instituição. O banco afirma que qualquer número divulgado fora desses levantamentos oficiais é apenas especulação.
A instituição também declarou que todas as operações ligadas ao caso estão sendo analisadas em uma investigação forense conduzida por escritório independente, com acompanhamento das autoridades competentes. Mesmo com as apurações em andamento, o BRB reforçou que suas atividades seguem normalmente.
Em nota, o banco afirmou que estuda a venda de ativos recuperados do Banco Master como uma das alternativas para fortalecer sua posição financeira. A instituição destacou ainda que qualquer medida de recomposição de capital só será avaliada após a conclusão das auditorias e das análises do Banco Central. Segundo o BRB, existe um plano para esse reforço, caso seja necessário, e eventuais aportes do acionista controlador não afetariam recursos destinados a políticas públicas.
O posicionamento do banco ocorreu no mesmo dia em que o Ministério da Fazenda negou que o ministro Fernando Haddad tenha tratado com o Governo do Distrito Federal ou com a direção do BRB sobre a necessidade de um aporte imediato de capital. A manifestação respondeu a reportagens que indicavam a cobrança de prazos para um possível socorro financeiro. A Fazenda não comentou eventuais discussões técnicas com o Banco Central sobre o acompanhamento do caso.
A situação do BRB está ligada à crise enfrentada pelo Banco Master, que é investigado por supostas fraudes em carteiras de crédito. Informações do Banco Central repassadas ao Ministério Público apontam que o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras que depois foram consideradas fraudulentas, substituídas e ainda em avaliação. Além disso, o banco estatal teria aplicado mais de R$ 5 bilhões no Master por meio de outras operações, como a compra de cotas de fundos de investimento.
Essas operações fizeram com que o BRB descumprisse, de forma temporária, limites prudenciais exigidos pelo Banco Central, permanecendo desenquadrado por pelo menos dois meses, em janeiro e fevereiro de 2025. Diante disso, o BC determinou a restrição de novas aquisições de ativos financeiros e a apresentação de um plano de solução em até seis meses, contados a partir de outubro do ano passado.
Apesar do cenário, o banco informou que não recebeu nenhuma determinação formal do Banco Central para realizar aporte imediato de recursos e reafirmou que possui condições de enfrentar a situação.
