Álcool ao volante transforma imprudência em tragédias no Entorno e no DF
11 janeiro 2026 às 16h19

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A embriaguez ao volante continua sendo um dos principais fatores de risco no trânsito do Entorno do Distrito Federal e do DF. A combinação de álcool e direção compromete os reflexos, a capacidade de reação e a noção de perigo, colocando em risco motoristas, pedestres, agentes de segurança e o patrimônio público.
Ocorrências desse tipo são registradas com frequência, principalmente durante a madrugada e em operações de fiscalização. Para muitas famílias, as consequências vão além das estatísticas e se transformam em dor permanente. É o caso de Maria da Conceição, de 42 anos, do Distrito Federal, que perdeu um familiar em um acidente provocado por um motorista embriagado.
Ela relata que a imprudência no trânsito deixa marcas que não desaparecem com o tempo.
“Quando a pessoa bebe e assume o volante, ela não pensa nas famílias que estão do outro lado. No meu caso, a gente perdeu um primo que saiu de casa e não voltou mais. A dor é diária, não tem dia que a gente não lembre. Um erro de minutos destruiu uma família inteira. Isso poderia ter sido evitado se aquela pessoa não tivesse dirigido depois de beber”, disse.
Maria afirma ainda que, além da perda, ficam as dificuldades emocionais e a sensação de injustiça.
“Não é só o luto, faz 10 anos e continua a dor. É aprender a viver sem aquela pessoa, lidar com a saudade e com a revolta de saber que foi uma irresponsabilidade. Por isso, quando vejo notícias assim, dá um aperto no peito, porque sei que outras famílias podem passar pelo mesmo”, completou.
Um exemplo recente aconteceu em Cidade Ocidental. Por volta das 5 horas da manhã, um veículo GM Corsa trafegava em aparente altíssima velocidade nas proximidades do Balão da Santa, quando o motorista perdeu completamente o controle. O carro chegou a “voar”, atravessou a via e atingiu violentamente o muro da base da Guarda Civil Municipal, destruindo parte da estrutura e invadindo a área interna da unidade.
Por poucos metros, o veículo não atingiu viaturas oficiais que estavam no local. No momento do acidente, guardas municipais realizavam o corpo da guarda, prestaram socorro imediato e acionaram o SAMU, que fez o atendimento no local e encaminhou os ocupantes para avaliação hospitalar.
Segundo as informações apuradas, o motorista apresentava sinais visíveis de embriaguez e não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Ele se recusou a receber atendimento hospitalar e também não realizou o teste do bafômetro, mesmo após ser conduzido à base da Polícia Rodoviária Federal, em Santa Maria.
Sobre o caso, o comandante da Guarda Civil Municipal de Cidade Ocidental, Lucena, explicou os encaminhamentos adotados:
“Ele foi preso pelos crimes de dirigir embriagado, dirigir sem Carteira Nacional de Habilitação, dano ao patrimônio público, resistência e desacato. Nós vamos instruir o processo na segunda-feira, fazer os três orçamentos, instruir o processo, a guarda vai encaminhar para a Secretaria Municipal de Segurança Pública e Trânsito e, consequentemente, a Secretaria Municipal de Segurança Pública e Trânsito vai encaminhar para a Procuradoria do Município.”
Apesar da força do impacto, os ocupantes do veículo passam bem. O motorista permanece preso e à disposição da Justiça. A parte do muro atingida já passa por reparos emergenciais para garantir a segurança da base.
No Distrito Federal, outro caso recente reforça a gravidade do problema. Na Asa Sul, durante a “Operação Álcool Zero”, policiais militares do Batalhão de Policiamento de Trânsito prenderam um motorista por embriaguez ao volante, direção perigosa e evasão do local de acidente. Ao avistar um bloqueio policial na via de ligação entre a L2 Norte e a L2 Sul, o condutor realizou uma manobra brusca de marcha à ré para fugir em alta velocidade.
Durante a fuga, o veículo atingiu um motociclista, que caiu na avenida. O motorista não prestou socorro e seguiu pela contramão da Avenida L2. Após acompanhamento tático, ele foi interceptado na altura da Quadra 601 Sul. O condutor se recusou a fazer o teste do etilômetro, mas exames periciais confirmaram o estado de embriaguez. Ele foi preso em flagrante, autuado por direção perigosa e abandono de vítima, e o veículo foi removido ao depósito do Detran-DF.
Os casos mostram, de forma clara, que a embriaguez ao volante segue sendo uma ameaça constante no trânsito do Entorno e do Distrito Federal, com consequências que atingem diretamente a vida de famílias inteiras.
