O secretário municipal de Educação de Cidade Ocidental, Fábio Dutra, pediu exoneração do cargo desde o início da semana e permanece na função até esta sexta-feira (30) para cumprir compromissos administrativos. A decisão, segundo ele, foi pessoal e tomada após mudanças na condução da pasta, que passaram a ter caráter político, destoando do perfil técnico que marcou sua gestão.

Em conversa com o Jornal Opção Entorno, Fábio afirmou que não houve desentendimento direto com o prefeito Lulinha Viana, mas que as alterações na estrutura da Secretaria de Educação o levaram a concluir que não conseguiria mais contribuir da forma que acredita ser adequada. “Foi um pedido meu. O prefeito tem autonomia para fazer mudanças, e eu respeito isso. Mas, a partir do momento em que percebi que o perfil técnico não era mais prioridade, entendi que era a hora de sair”, afirmou.

Segundo o secretário, a conversa com o prefeito foi tranquila e respeitosa. “Ele deixou claro que se tratava de uma decisão política. Eu não sou político, não sou filiado a partido. Vim para a função por um perfil técnico, vindo do núcleo pedagógico”, explicou.

Além de Fábio Dutra, apuramos que aproximadamente nove a dez integrantes da equipe pedagógica da Secretaria de Educação também pediram desligamento. De acordo com ele, todos são servidores técnicos, muitos de carreira, que optaram a saída por não concordarem com as mudanças adotadas. “São pessoas que estavam em sintonia com a forma técnica de trabalho. Eles saíram de forma voluntária”, disse.

Divergências internas e respeito à hierarquia

Fábio também comentou que parte do desgaste interno envolveu a atuação da subsecretária de Educação, Cilene Ramos, apontando conflitos relacionados à hierarquia administrativa. “Não sou contra ter subsecretário, mas é preciso respeitar os limites do cargo. Quem responde pelas decisões é o secretário. Houve interferências em áreas que não cabiam”, relatou.

Fábio detalhou situações em que houve interferência direta da subsecretária e que geraram desgastes entre os gestores. Ele ressalta que a servidora “chegou atropelando uma série de coisas” e criando situações com o setor principal. “Você assume a secretaria, se torna a secretária que você pode fazer as mudanças, fazer o que você quiser, porque tudo que você faz aqui tem consequência. Você vai responder por isso, pelas ações, é seu CPF, então você se torna a secretária”, declarou sem citar quais episódios decisórios resultaram essas intervenções.

Segundo ele, para evitar conflitos maiores e desgaste pessoal e institucional, optou por deixar o cargo. “Não vou criar desavença. Se eu estou incomodado, eu me retiro”, resumiu.

Mesmo após pedir exoneração, Fábio decidiu permanecer no cargo até esta sexta-feira (30) para garantir a continuidade administrativa, especialmente no pagamento da folha e na assinatura de contratos essenciais. “A educação não pode parar por ego. Minha responsabilidade é com o município e com as crianças”, disse.

Futuro fora da política

Questionado sobre a possibilidade de retornar ao governo em outra função, Fábio disse que, no momento, pretende descansar após 7 anos de trabalho intenso. “Não está no meu radar assumir outro cargo. Minha vida é a educação. Não quero ganhar salário para fingir que estou trabalhando”, declarou.

Com 25 anos de atuação na área educacional, Fábio Dutra afirmou sair com a consciência tranquila. “Fiz o melhor que pude. Educação é maior do que qualquer secretário. Vida que segue”, completou.

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