O Banco de Brasília (BRB) apresentou ao Banco Central um plano com medidas para garantir a continuidade das atividades da instituição. O documento foi entregue pessoalmente pelo presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, ao diretor de Fiscalização do BC, Gilneu Vivan. O secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias, também participou do encontro.

Segundo o BRB, o plano reúne ações preventivas que só serão colocadas em prática caso seja confirmada a necessidade de aporte de recursos pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Essa decisão depende do resultado das investigações que ainda estão em andamento.

Em nota, o banco informou que a iniciativa tem como objetivo garantir a sustentabilidade da instituição, manter a estabilidade das operações e assegurar transparência para clientes, investidores e parceiros. O BRB não divulgou valores relacionados ao plano nem detalhou quais ações foram apresentadas ao Banco Central.

A instituição afirmou apenas que as medidas têm como foco proteger os clientes e garantir o funcionamento do banco. De acordo com o comunicado, o plano busca fortalecer o capital do BRB e preservar a continuidade das atividades.

Apesar de o banco não mencionar números oficialmente, em depoimento à Polícia Federal no fim do ano passado, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que operações envolvendo o Banco Master teriam causado um prejuízo de R$ 5 bilhões no balanço do BRB.

Em tese, o banco possui cinco alternativas para levantar recursos. Entre elas estão a obtenção de empréstimos com outras instituições financeiras, incluindo bancos privados e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC); a venda de ativos, como carteiras imobiliárias e créditos a estados e municípios; a criação de um fundo imobiliário com terrenos e imóveis do GDF; aportes diretos do Tesouro do Distrito Federal; ou ainda um empréstimo do próprio GDF com apoio do FGC, para posterior repasse ao banco.

As medidas que envolvem recursos do governo distrital dependem de autorização da Câmara Legislativa do Distrito Federal. O objetivo do plano é aumentar a liquidez do banco, reduzir o tamanho da instituição e diminuir a necessidade de novos aportes públicos, em um cenário de limitações fiscais.

As investigações em andamento apuram a compra, pelo BRB, de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master, com suspeita de ativos superfaturados ou inexistentes. O banco informou que aproximadamente R$ 10 bilhões desse total já foram substituídos ou liquidados e negou qualquer bloqueio de bens.