Vereadores derrubam taxa do lixo em Padre Bernardo e citam falta de transparência
15 abril 2026 às 14h41

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*Por Cintia Ferreira
Os vereadores de Padre Bernardo derrubaram a cobrança da taxa do lixo no município e protagonizaram uma reação conjunta contra a medida. Em vídeo divulgado nas redes sociais, os parlamentares comemoraram a decisão e chegaram a fazer um gesto simbólico, arremessando uma pequena lixeira, para marcar a rejeição à proposta e reforçar o posicionamento em defesa da população.
A decisão, segundo os vereadores, foi motivada principalmente pela falta de transparência do projeto enviado pelo Poder Executivo. Em entrevista ao Jornal Opção Entorno, o vereador Thiago Salomão Dias (PODE) afirmou que não houve clareza nos critérios utilizados para definir os valores da cobrança.
“Os principais argumentos foram a falta de informação do projeto do próprio Poder Executivo. Ele apresentou tabelas de valores, mas não mostrou onde estavam os cálculos para chegar nesses números. Baseado em quê?”, questionou.
O parlamentar também apontou inconsistências nos valores apresentados ao longo do processo. “Primeiro, a taxa variava de R$ 20 até R$ 550. Depois caiu para R$ 280 e, quando chegou à Câmara, estava entre R$ 20 e R$ 90. Como que em três versões você reduz quase 100% do valor? Alguma inconsistência tem”, detalhou.
Outro ponto levantado foi o impacto direto na população sem garantia de prestação adequada do serviço. Segundo o vereador, há regiões do município que não contam com coleta regular de lixo ou serviços de limpeza urbana. “Tem setor que paga água, mas o caminhão do lixo não passa. E o projeto ainda previa cobrança de varrição de rua em locais que nem têm pavimentação”, afirmou.
De acordo com Thiago Salomão, os vereadores não extinguiram a possibilidade de cobrança, mas barraram a forma proposta pelo Executivo. “Nós não derrubamos a taxa do lixo. Derrubamos a cobrança na fatura de água. O Código Tributário já permite a cobrança via IPTU, mas isso precisa ser feito com transparência”, explicou.
O vereador também defendeu que o município tem condições de manter o serviço sem a nova taxa, desde que haja ajustes internos. “O município tem arrecadação prevista de cerca de R$ 240 milhões por ano. O que precisa é cortar gastos desnecessários, não criar mais cobrança para a população”, disse.
Segundo ele, a decisão beneficia os moradores no curto prazo, mas não descarta a possibilidade de retomada do debate futuramente. “A população foi beneficiada porque não havia transparência. A taxa pode voltar? Pode. E talvez seja necessária, mas com clareza, mostrando para onde vai o dinheiro e como será gasto”, afirmou.
A derrubada da taxa em Padre Bernardo também repercute em outras cidades da região. Em Formosa, por exemplo, a Câmara Municipal deve analisar proposta semelhante, o que aumenta a expectativa sobre possíveis desdobramentos diante do precedente recente.
