O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso na Operação Compliance Zero, manifestou interesse em colaborar com as investigações e pode firmar acordo de delação premiada, segundo seus advogados.

A defesa solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a transferência do executivo do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, para outro local que permita comunicação sigilosa com seus representantes legais. O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso.

Na petição, os advogados afirmam que Costa indicou disposição para cooperar com as autoridades “possivelmente por meio de colaboração premiada”. Eles argumentam que, nas condições atuais de custódia, não é possível cumprir os requisitos necessários para um eventual acordo, como a voluntariedade do investigado, a análise técnica das informações e uma decisão informada sobre termos e riscos.

Segundo a defesa, a estrutura da Papuda compromete o sigilo das conversas e inviabiliza discussões detalhadas sobre os fatos investigados, além de dificultar o manuseio de provas.

Costa é investigado por supostamente descumprir práticas de governança e autorizar operações com o banco Master sem garantias que sustentassem os valores negociados.

Os advogados também destacam que o ex-presidente do BRB é oficial da reserva das Forças Armadas, com patente de 2º tenente, o que, segundo eles, pode assegurar o direito à prisão especial, como a sala de Estado-Maior. O espaço é utilizado por autoridades e já abrigou o empresário Daniel Vorcaro, dono do banco Master, além do ex-presidente Jair Bolsonaro entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.