*Por Cintia Ferreira

O Brasil registrou o menor número de homicídios da última década, segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. As informações, baseadas no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, indicam que, nos três primeiros meses deste ano, foram contabilizados 7.079 casos de homicídios e latrocínios em todo o país.

O número representa uma queda de 44,34 por cento em relação ao mesmo período de 2016, quando foram registradas 12.719 vítimas. A redução também aparece em comparações mais recentes. Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, houve diminuição de 16,04% nos homicídios dolosos e de 30,77% nos casos de latrocínio.

Os roubos seguidos de morte apresentaram uma das quedas mais acentuadas no período analisado. Em dez anos, os registros passaram de 591 casos para 160, o que representa redução de 72,9%.

Além da queda nos crimes letais, o levantamento aponta aumento no cumprimento de mandados de prisão. Entre janeiro e março, o número passou de pouco mais de 53 mil em 2022 para quase 73 mil neste ano, alta de 37,1%.

Para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, os resultados refletem uma mudança na forma de atuação das forças de segurança no país. “Os dados mostram que o Brasil não está apenas reduzindo a violência, mas mudando a forma de enfrentá-la. Hoje trabalhamos com integração entre as forças de segurança, uso intensivo de inteligência e atuação coordenada em todo o país”, afirmou.

Segundo ele, a combinação dessas estratégias permite não apenas ampliar o número de prisões, mas também prevenir crimes e reduzir a violência. A integração de dados entre União e estados e o enfrentamento às estruturas econômicas do crime também foram apontados como fatores relevantes.

O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, destacou o impacto dos investimentos e da modernização das estruturas. “Com estruturas mais modernas e atuação coordenada, as forças de segurança conseguem agir com mais precisão e eficiência”, disse.

Especialistas avaliam que a queda nos índices não é um fenômeno recente, mas parte de uma tendência observada ao longo dos últimos anos. Para o analista de segurança pública Leonardo Sant Anna, a melhora está associada ao uso mais eficiente de informações e à maior capacidade de coordenação entre os entes federativos. “Isso indica uma maior capacidade de prevenção e também de responsabilização de cada órgão dentro das suas atribuições, o que resulta em melhores indicadores de proteção ao cidadão”, explicou.

Apesar do avanço, especialistas destacam que outros elementos ajudam a explicar a redução da violência. O conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Cássio Thyone de Rosa, cita mudanças demográficas como um dos fatores. “O envelhecimento da população tem impacto porque os jovens são os que mais se envolvem em crimes, então isso também influencia na queda dos índices”, afirmou. Ele ressalta, no entanto, que ainda há desafios. “São dados que merecem ser comemorados, mas o país ainda tem um longo caminho para alcançar padrões de segurança de países desenvolvidos”, completou.