Base de Lulinha racha e maioria dos vereadores rejeita apoio a Fábio Correa em Cidade Ocidental
06 maio 2026 às 16h40

COMPARTILHAR
Por Cintia Ferreira
A tentativa do prefeito de Cidade Ocidental, Lulinha Viana (PP), de unificar sua base política em torno da pré-candidatura do ex-prefeito Fábio Correa encontrou resistência dentro da própria Câmara Municipal. Apesar do apoio público declarado pelo chefe do Executivo, a maioria dos vereadores aliados já decidiu que não acompanhará o movimento político nas eleições estaduais.
Dos 14 parlamentares que integram a base governista, apenas três devem aderir ao projeto de Fábio Correa. Entre os vereadores que não devem apoiar a pré-candidatura do ex-prefeito estão Zé Divino (Progressistas), Danielzinho Lima (PSD), Afonso Baiano (Podemos), Sanches Paiva (Podemos), Frank Dênis (PL), Clauber Morlé (Podemos), Pedro Araújo (PSDB), Del Mota (PL), Ihago do Abrigo (PSD), Ivone Souto (Republicanos), José Anaelson (União Brasil) e Paulinho (Republicanos).
O cenário expõe um ambiente de divisão interna e evidencia sinais de desgaste político dentro do grupo governista. Nos bastidores, aliados descrevem o clima como “tenso”, principalmente diante de relatos envolvendo pressão sobre servidores comissionados e articulações para consolidar apoios políticos.
Nem mesmo o líder do governo na Câmara, vereador Clauber Morlé, deve acompanhar a orientação política defendida pelo Executivo municipal, o que amplia a percepção de isolamento em torno da pré-candidatura de Fábio Correa.
Vereadores relatam pressão sobre servidores
Durante pronunciamento, o vereador Afonso Baiano (Podemos) afirmou ter recebido denúncias de servidores municipais que estariam sendo pressionados a declarar apoio político. “Recebi várias ligações informando que servidores comissionados estariam sendo pressionados a colocar apoio político. Muitos não estão colocando e estariam sendo ameaçados de perder o emprego”, declarou o parlamentar.
Afonso Baiano também criticou o clima de insegurança política e demonstrou preocupação com possíveis retaliações futuras. “Fico triste porque, querendo ou não, se o servidor perder o emprego, vai faltar alimento dentro da casa dele. Muitas pessoas estão trabalhando porque precisam sustentar suas famílias”, afirmou.
Em tom crítico e irônico, o vereador também fez referência ao patrimônio do ex-prefeito. “Quando falam em ‘continuar avançando’, eu tenho receio de que, se Deus livre o Fábio Correa ganhar a eleição e continuar avançando, seja rumo às fazendas dele. Com dois mandatos de prefeito, conseguiu comprar quatro propriedades. Como deputado, é capaz de comprar mais algumas e chegar perto da minha terrinha, que eu lutei tanto para conquistar”, disse.
Outro integrante da base governista que decidiu não acompanhar o projeto político do ex-prefeito é o vereador Danielzinho Lima (PSD). O parlamentar afirmou que manterá apoio ao deputado Wilde Cambão, aliado de partido, e negou qualquer conflito pessoal com Fábio Correa. “Eu já tenho meu candidato, que é o Wilde Cambão. Apoio ele desde antes do lançamento da pré-candidatura do Fábio Correa”, afirmou.
Segundo Danielzinho, a decisão é resultado de uma relação política construída ao longo dos últimos anos. “Tenho uma história construída com o Wilde Cambão. Não tem como deixar de apoiar alguém que ajuda a cidade e atende os anseios da população”, declarou.
O vereador também destacou que o próprio Fábio Correa já havia indicado Wilde Cambão anteriormente. “Na época em que comecei a apoiar o Wilde Cambão, foi o próprio Fábio que me apresentou ele como uma pessoa boa. A partir dali construímos uma parceria política”, acrescentou.
Base governista demonstra independência política
Mesmo permanecendo alinhados administrativamente ao governo municipal, os vereadores têm deixado claro que a relação institucional com o Executivo não significará alinhamento automático no campo eleitoral.
Nos bastidores da política local, circulam comentários de que aliados de Fábio Correa estariam mencionando uma possível “caça às bruxas” contra parlamentares que não aderirem ao projeto político neste momento.
Apesar disso, a avaliação predominante entre os vereadores é de que a pressão não deverá alterar o posicionamento da maioria da base governista.
O episódio revela um cenário de autonomia crescente dentro da Câmara Municipal e amplia os sinais de desgaste político enfrentados pelo grupo ligado ao ex-prefeito em Cidade Ocidental.
Pedro Araújo cita desgaste político e fala em renovação em Cidade Ocidental
Outro vereador que também se posicionou de forma crítica em relação ao grupo político do ex-prefeito Fábio Correa foi Pedro Araújo (PSDB). O parlamentar afirmou que boa parte dos vereadores acumulou decepções políticas ao longo dos anos com o ex-prefeito. “No contexto completo, a grande maioria dos vereadores já teve decepções políticas relacionadas a ele quando esteve na base de apoio dele. Não é o meu caso, porque nunca fui”, afirmou.
O vereador afirmou ainda que avalia, junto ao seu grupo político, a possibilidade de disputar uma vaga para deputado estadual nas próximas eleições. “Por dois motivos, estou avaliando com o meu grupo político o convite que meu partido me fez para ser candidato a deputado estadual: primeiro, por acreditar em uma renovação política em Cidade Ocidental”, disse.
