A nova ofensiva da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) abriu uma frente de tensão simultânea no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Congresso Nacional. A quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta semana, colocou o ex-ministro da Casa Civil entre os alvos centrais da investigação sobre o esquema envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Segundo investigadores, a apuração aponta suspeitas de que o parlamentar teria sido beneficiário de vantagens indevidas e usado sua influência política em favor de interesses ligados ao empresário. A PF também cumpriu medidas contra pessoas próximas ao senador, incluindo familiares e aliados.

O avanço da operação elevou a pressão sobre o STF, onde o caso tramita sob relatoria do ministro André Mendonça. Nos bastidores da Corte, ministros avaliam que a investigação ganhou dimensão política após surgirem mensagens, registros financeiros e anotações apreendidas em celulares e documentos ligados a Vorcaro.

A investigação já havia identificado diálogos entre o banqueiro e Ciro Nogueira, além de referências a pagamentos destinados a uma pessoa identificada apenas como “Ciro”. O senador nega qualquer irregularidade e afirma que a tentativa de associá-lo ao caso busca desgastar sua imagem pública.

No Congresso, líderes do Centrão acompanham o caso com preocupação. A avaliação é de que a operação pode aprofundar o desgaste entre parlamentares e o Judiciário, especialmente após a PF encontrar materiais que citam políticos influentes e possíveis conexões com autoridades de Brasília.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, publicou uma série de mensagens nas redes sociais associando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, ao caso envolvendo o Banco Master. Em uma das postagens, o ministro afirmou haver “mansões misteriosas e envolvimento com o caso do Banco Master”, classificando o episódio como “mais um esquema de Flávio Bolsonaro”.

Os vídeos divulgados por Boulos incluem artes e falas críticas ao senador. Em um dos conteúdos publicados nas redes sociais, aparece a frase: “A mansão de Flávio Bolsonaro e o esquema do Master”.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, emitiu uma nota sem citar Ciro Nogueira, apenas afirmando que “acompanha com atenção e considera graves as informações divulgadas pela imprensa”. “Entendemos que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal”, descreve na nota.

Aliados de Ciro afirmam que a investigação tem potencial para contaminar votações importantes no Senado e afetar negociações políticas do governo com partidos do bloco. Já integrantes da oposição defendem o aprofundamento das apurações e cobram transparência sobre a relação entre empresários investigados e agentes públicos.

A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e manipulação de ativos ligados ao Banco Master. Desde o início da investigação, a PF já cumpriu diversas fases da operação, com bloqueios bilionários de bens e prisões de empresários e operadores financeiros.