O presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), deputado Max Maciel (PSOL), realizou uma visita técnica à sede de manutenção do Metrô-DF para verificar as condições operacionais, administrativas e de manutenção do sistema metroviário do Distrito Federal. A fiscalização ocorreu em 29 de maio de 2026 e foi emitido relatório no último dia 22 de junho, apontando uma série de problemas que afetam o funcionamento da companhia.

Acompanhado por servidores da Comissão, Max Maciel vistoriou as oficinas, as valas de inspeção, equipamentos de manutenção, composições paradas e os painéis elétricos dos trens da Série 1000 atingidos por incêndios, recentemente. O grupo também se reuniu com diretores e técnicos do Metrô-DF para cobrar esclarecimentos sobre a situação da frota, manutenção, aquisição de peças, expansão da rede e investimentos previstos para o sistema.

A fiscalização foi motivada pelo aumento das reclamações de usuários sobre superlotação, longos intervalos entre viagens, falhas operacionais e queda na qualidade do serviço.

Dois dos quatro trens sem perspectiva de retorno à operação. Foto Reprodução

Segundo o relatório, o Metrô-DF possui 32 trens, mas apenas 19 estavam em circulação na data da vistoria. Outros três estavam em manutenção de curto prazo, seis dependiam de reparos mais complexos e quatro não tinham previsão de retorno à operação por inviabilidade técnica ou econômica.

A Comissão também destacou que o sistema apresentou queda no número de passageiros transportados. Em 2025, houve redução de 2,18% em relação ao ano anterior, o equivalente a 924.396 acessos a menos. Em 2024, a queda já havia sido de 1% na comparação com 2023.

Outro ponto de preocupação é a regularidade operacional. O índice registrado em 2025 foi de 89,01%, abaixo da meta de 97%. Na prática, cerca de 11% das viagens programadas deixaram de ser realizadas. A direção do Metrô-DF atribuiu o problema principalmente à limitação da frota disponível.

Durante a visita, representantes da empresa admitiram que a falta de empregados também tem impactado a arrecadação. Segundo o relatório, parte da receita é perdida com a liberação de catracas em estações sem servidores suficientes para controlar o acesso ou vender bilhetes. O valor mencionado foi de aproximadamente R$ 3 milhões no último levantamento.

A CTMU também cobrou explicações sobre incêndios registrados em trens da Série 1000. De acordo com o Metrô-DF, os incidentes teriam sido provocados por capacitores a óleo instalados em armários elétricos antigos. A empresa informou que adotou medidas como substituição de componentes, mudanças nos protocolos de operação e inspeções mensais com câmeras termográficas.

O relatório aponta ainda dificuldades para obtenção de peças de reposição, especialmente nos trens da Série 1000, fabricados pela Alstom. Segundo a Comissão, a dependência tecnológica da fabricante segue como um dos principais entraves para recuperação da frota.

Também foi informada a compra de 330 rodas para manutenção dos trens, das quais cerca de 250 já haviam sido instaladas até a data da visita. O Metrô-DF também avalia aderir a uma ata de registro de preços para adquirir até 500 novas rodas.

A direção do Metrô-DF informou à Comissão que está em fase interna o processo licitatório para aquisição de 15 novos trens, com custo estimado de R$ 48 milhões por unidade. A expectativa apresentada é de publicação do edital ainda em junho e possível assinatura do contrato em setembro de 2026, caso não haja suspensão por órgãos de controle.

Apesar da previsão de novos veículos, a entrega dos primeiros trens só deve ocorrer cerca de dois anos após a contratação, devido aos prazos de fabricação, testes e homologação.

A Comissão também questionou o andamento da expansão da rede. Segundo o Metrô-DF, a ampliação da linha Samambaia está em execução, com financiamento do BNDES e inclusão no Novo PAC. Já a expansão da linha Ceilândia teve recomendações do Tribunal de Contas do Distrito Federal incorporadas ao edital e está em fase de recebimento de propostas.

Ao final da fiscalização, a CTMU encaminhou o Ofício nº 262/2026 ao Metrô-DF solicitando dezenas de informações complementares sobre queda na demanda, regularidade operacional, manutenção da frota, compra de novos trens, furtos de cabos, bilhetagem, abertura de catracas, realização de concurso público e condições de trabalho de servidores e terceirizados.