PGR rejeita proposta de delação do ex-presidente do BRB preso por suspeitas no caso Banco Master
25 junho 2026 às 19h29

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou, nesta quinta-feira (25), a proposta de acordo de colaboração premiada apresentada pelo ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso preventivamente desde abril no âmbito das investigações sobre supostas irregularidades envolvendo negociações com o Banco Master.
Na decisão, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, concluiu que a proposta apresentada pela defesa não oferece contribuição relevante para o avanço das investigações. Segundo ele, a colaboração possui “reduzida utilidade e débil eficácia potencial” para os objetivos previstos em um acordo de delação premiada.
Gonet também destacou que o ex-dirigente não apresentou qualquer indicação concreta de ressarcimento aos cofres públicos, requisito considerado importante nesse tipo de negociação. “Não há, ainda, sinalização mínima do potencial de ressarcimento da pretendida colaboração, que a diferencie dos resultados já alcançados pelas autoridades cíveis e criminais engajadas na busca patrimonial”, escreveu o procurador-geral.
Apesar da negativa da PGR, a proposta ainda permanece sob análise da Polícia Federal. A defesa de Paulo Henrique Costa informou que, até o momento, não foi formalmente comunicada sobre a decisão da Procuradoria.
Defesa tentava abrir caminho para delação
No início da semana, os advogados do ex-presidente do BRB haviam pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) a revogação da prisão preventiva e cobraram uma manifestação da PGR sobre a possibilidade de firmar um acordo de confidencialidade — etapa inicial das negociações para uma eventual colaboração premiada.
Segundo a defesa, houve uma reunião com representantes das autoridades em 28 de maio, mas, desde então, não houve retorno oficial.
No pedido encaminhado ao STF, os advogados afirmaram que Paulo Henrique Costa sequer foi interrogado pelas autoridades desde a primeira decisão cautelar, expedida em novembro de 2025. “O requerente nunca foi interrogado pelas autoridades. Houve, tão somente, uma turbulenta acareação, que não foi precedida de interrogatório”, sustentou a defesa.
Prisão e investigações
Paulo Henrique Costa está preso desde 16 de abril, quando foi alvo da quarta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As investigações apontam que, durante sua gestão à frente do BRB, o executivo teria desrespeitado regras de governança ao autorizar operações consideradas irregulares envolvendo o Banco Master.
De acordo com a Polícia Federal, Paulo Henrique Costa também é suspeito de ter recebido ao menos seis imóveis, avaliados em cerca de R$ 146 milhões, do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Em troca, ele teria facilitado operações financeiras de interesse da instituição. Dois dos imóveis investigados ficam em Brasília.
A defesa do ex-presidente nega irregularidades e busca reverter a prisão preventiva enquanto tenta negociar um acordo de colaboração com as autoridades.
