Ativistas que participaram das ações do Dia do Orgulho LGBTQIA+, celebrado neste domingo (28), afirmam ter sido impedidos pela Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados de estender uma bandeira com as cores do arco-íris no gramado em frente ao Congresso Nacional, em Brasília. Segundo o grupo, a manifestação era pacífica e havia sido comunicada previamente às autoridades.

A bandeira, com aproximadamente 50 metros de comprimento, foi levada por cerca de 20 participantes, que chegaram ao local antes das 10h. De acordo com o ativista Michel Platini, logo após o material ser completamente estendido, viaturas da Polícia Legislativa chegaram ao local e determinaram a retirada da bandeira.

Segundo Platini, os manifestantes se ajoelharam para demonstrar que não ofereceriam resistência e explicaram aos agentes que o símbolo representava o orgulho e a luta da comunidade LGBTQIA+ contra a violência e a discriminação.

Os ativistas afirmam que os policiais alegaram falta de autorização para a realização do ato. O grupo, no entanto, sustenta que comunicou a manifestação com mais de 24 horas de antecedência e que o direito à manifestação pacífica é garantido pela Constituição Federal.

Para Michel Platini, a intervenção dos agentes representou uma repressão injustificada e reforça a percepção de violência institucional contra a população LGBTQIA+.

O Grupo Estruturação e o Centro Brasiliense de Defesa dos Direitos Humanos informaram que irão apresentar uma representação à Câmara dos Deputados para solicitar a apuração da conduta dos policiais legislativos durante a ocorrência.

Outro participante do ato, o designer Rafael Lira, de 39 anos, afirmou que a presença das viaturas e a abordagem dos agentes causaram apreensão entre os manifestantes. Segundo ele, o objetivo da ação era promover uma manifestação pacífica em defesa da visibilidade e dos direitos da comunidade LGBTQIA+.

Após tomar conhecimento do episódio durante um encontro de ativistas em Brasília, o deputado distrital Fábio Felix (PSOL), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal, informou que solicitará esclarecimentos sobre a atuação da Polícia Legislativa no caso.

Até o momento, a Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados não havia se manifestado sobre as alegações dos participantes do ato.