A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu preventivamente, nesta quinta-feira (20), em Ceilândia, um homem de 41 anos investigado por racismo e apologia ao crime após publicar na internet vídeos com ataques contra pessoas negras, mulheres e nordestinos. A prisão foi realizada pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação (Decrin), durante uma operação que também cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do investigado, onde os policiais apreenderam um celular que, segundo a investigação, era utilizado para as publicações.

De acordo com a PCDF, o investigado, identificado como Alan Braga, publicou vídeos com conteúdo racista, misógino e xenofóbico nos dias 27, 29 e 30 de julho deste ano.

Na biografia do perfil utilizado por ele em uma rede social, permanecia a frase “Eu odeio gente negra”.

Em uma das gravações investigadas, o homem também fez ataques contra mulheres e nordestinos. Entre as declarações atribuídas a ele está: “Eu não gosto dessas cachorras, dessas nordestinas. Eu não gosto de nordestinos. Me deixem em paz”.

Busca na casa

Além do mandado de prisão preventiva, os policiais cumpriram uma ordem de busca e apreensão expedida pela 2ª Vara Criminal de Santa Maria.

Segundo a investigação, a Justiça considerou o investigado perigoso para o convívio social.

O homem foi localizado em casa. Durante a busca, os agentes apreenderam um celular que teria sido utilizado para a prática dos crimes investigados.

Os policiais também reconheceram no imóvel a parede que aparecia ao fundo de vídeos publicados pelo suspeito.

No local, ao lado de dois crucifixos, foram encontradas frases de ódio escritas à mão. Entre elas estava: “Aquele ali tem que ser cumprido com todo rigor até o último dia da minha vida. Todo ódio que houver no meu coração é pouco”.

A prisão desta quinta-feira ocorre após uma investigação anterior conduzida pela Decrin. Segundo a PCDF, o homem já havia sido indiciado em junho deste ano por crimes relacionados a discursos de ódio.

Em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, ele teria utilizado as redes sociais para fazer ataques contra mulheres e proferir ofensas racistas contra uma policial civil negra que aparecia em uma publicação do perfil oficial da Polícia Civil do Distrito Federal.

A corporação também identificou registros de ocorrências em outras delegacias envolvendo supostos ataques do investigado contra pessoas negras, mulheres, nordestinos, mato-grossenses e mineiros.

Segundo a delegada Thalita Nobrega, da Decrin, além das ofensas, o homem também teria incentivado outras pessoas a cometer crimes contra grupos minoritários. “A somatória do crime de apologia ao crime e do racismo que ele está respondendo, se condenado, vai passar de 10 anos”, afirmou a delegada.

Investigação sobre grupos extremistas

No mês passado, o investigado já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela 8ª Delegacia de Polícia, na Estrutural.

Na ocasião, os investigadores apuravam se o homem mantinha ligação com grupos ou células extremistas que atuavam na internet.

A nova investigação reúne as publicações feitas nas redes sociais, o material apreendido e registros anteriores atribuídos ao suspeito. Ele permanece preso preventivamente à disposição da Justiça.