Os estragos provocados pelo temporal que atingiu Valparaíso de Goiás e Cidade Ocidental, no Entorno do Distrito Federal, reacenderam o debate sobre a capacidade da infraestrutura urbana para suportar o crescimento acelerado da região.

A chuva registrada na quinta e sexta-feira provocou alagamentos em diferentes pontos da cidade, além de quedas de árvores e muros, destelhamentos e danos em imóveis e estruturas. Na Vila Guaíra, o asfalto de uma das principais avenidas cedeu e abriu uma grande cratera, levando à interdição do trecho. 

Segundo dados do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), Valparaíso registrou 30,8 milímetros de chuva, acompanhados de rajadas de vento de até 60 km/h. A intensidade do temporal provocou transtornos mesmo com uma previsão inicial de chuva de baixa a moderada intensidade.

Diante dos episódios recentes, a ambientalista e candidata a deputada estadual por Goiás Paloma Ludmyla, que é formada em reabilitação urbana pela Universidade de Brasília (UnB), questiona a relação entre a expansão imobiliária e os problemas de drenagem enfrentados pelas cidades do Entorno.

Segundo ela, parte do problema está relacionada à impermeabilização do solo provocada pela construção de novos empreendimentos.

“A construção de condomínios está agravando essa situação porque eles simplesmente estão empurrando todo o volume de água que antes infiltrava no solo para a rua”, afirmou.

Condomínios e drenagem

Paloma cita um relatório da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) que, segundo ela, identificou situações de lançamento irregular de águas pluviais na região do bairro Marajó, com direcionamento da água para a GO-577.

Na avaliação da especialista, além de contribuir para os alagamentos, o escoamento inadequado pode provocar processos erosivos e comprometer a estrutura da rodovia.

A GO-577 é uma rodovia estadual que liga Valparaíso de Goiás a Novo Gama e já passou por obras de reconstrução.

Críticas às regras para novos empreendimentos

Paloma também direciona críticas à Câmara Municipal. Segundo ela, mudanças nas normas de construção aprovadas em julho de 2026 foram votadas por unanimidade e não estabeleceram, na avaliação dela, contrapartidas suficientes para acompanhar o impacto provocado pela expansão dos condomínios.

Ela defende que novos empreendimentos sejam acompanhados de estudos de impacto, medidas de drenagem e outras contrapartidas urbanísticas e ambientais. “Constrói o que quiser, onde quiser”, criticou.

Para a candidata, o problema tende a se agravar caso o crescimento urbano continue sem investimentos proporcionais em infraestrutura. “A gente precisa discutir que cidade estamos construindo e qual será o futuro do Entorno se esse modelo continuar”, acrescentou.