A proximidade da posse do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcada para 5 de janeiro de 2027, provocou um aumento significativo na procura por hospedagens no Distrito Federal (DF) e em municípios do Entorno. Os primeiros levantamentos da Associação de Aluguel por Temporada de Brasília apontam ocupação próxima de 60% nos imóveis consultados para o período da cerimônia. Além da alta demanda, o setor registra aumentos expressivos nos valores das diárias.

De acordo com a entidade, a tendência é de crescimento na procura até a data da cerimônia, com possibilidade de ocupação total dos imóveis disponíveis. “A nossa expectativa é de que a procura continue crescendo à medida que a posse se aproxima e, com certeza, teremos uma taxa de ocupação de 100%”, afirmou a direção da Associação.

O aluguel por temporada desempenha papel estratégico na ampliação da capacidade de hospedagem da capital durante grandes eventos, haja visto que colabora com a rede hoteleira tradicional e proporcionando ainda, locações não só para turistas duplos, como para grupos maiores que buscam casas e apartamentos que comportam a todos em uma só residência.

Diante da grande procura, a movimentação também tem provocado mudanças nos preços das hospedagens. Há registros de imóveis cujas diárias alcançam valores muito superiores aos praticados em períodos comuns, especialmente na semana da posse presidencial.

Representantes do setor reconhecem a elevação gradual dos preços e atribuem o movimento ao aumento da demanda, que coincide com as festas de fim de ano e com a cerimônia de posse, realizada em janeiro após a mudança na data de início do mandato presidencial.

Deputado aciona Ministério Público

A disparada nos preços levou o deputado federal eleito pelo Distrito Federal Fábio Félix (PSOL) a protocolar uma representação no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

Segundo informações obtidas pelo Jornal Opção Brasília/ Entorno, o gabinete do parlamentar analisou mais de 360 anúncios publicados nas plataformas Booking.com e Airbnb e identificou diferenças de até 23 vezes nos valores cobrados por uma mesma hospedagem, dependendo da data escolhida.

Um dos exemplos identificados foi o de uma diária anunciada por R$ 12.416 para o dia da posse presidencial. Uma semana depois, o mesmo imóvel aparecia com valor de R$ 532.

A representação pede que o Ministério Público investigue os critérios utilizados para a formação dos preços e apure a existência de possíveis práticas abusivas na cobrança das hospedagens durante o período do evento.