O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) permanece em observação após sofrer uma queda na madrugada desta terça-feira (6/1), no quarto onde cumpre pena na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília (DF). A defesa e a família pedem autorização para a realização de exames hospitalares, enquanto decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) mantém, por ora, o acompanhamento no local com base em avaliação da Polícia Federal.

O cardiologista clínico Brasil Caiado, médico que acompanha Bolsonaro, afirmou que o quadro ainda não pode ser esclarecido sem exames complementares. Segundo o médico, a equipe enfrenta limitações no momento. “Sem os exames não tem como avançar. Fica muito difícil saber qual é a origem do problema e, a partir do diagnóstico, definir o tratamento. Estamos parados esperando a complementação diagnóstica”, declarou.

Ainda de acordo com Brasil Caiado, Bolsonaro foi reavaliado várias vezes ao longo do dia devido à preocupação com a evolução do quadro. O médico relatou sinais de apatia, tontura e vermelhidão na região da testa. “Trauma craniano é algo que a gente realmente não sabe como vai evoluir. Na maioria das vezes, é preciso observação, pelo menos nas primeiras 24 horas”, disse. Ele acrescentou que, havendo liberação, a transferência para o hospital será imediata. “A hora que liberar, nós vamos levá-lo. O hospital já está de sobreaviso”, afirmou.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também falou sobre a situação e demonstrou preocupação com o estado de saúde do marido. Segundo Michelle, ela teve acesso a Bolsonaro por cerca de 30 minutos pela manhã. “Quando cheguei, vi que ele estava com um hematoma no rosto, com o pé sangrando e um pouco lento nas respostas. Tentei conversar, mas ele não lembrava de nada”, relatou.

Michelle afirmou que Bolsonaro disse saber que caiu, mas não se recordava do tempo que permaneceu desacordado. De acordo com ela, a principal preocupação da família é a possibilidade de dano neurológico. “A gente não sabe por quanto tempo ele ficou desacordado, se teve algum dano neurológico ou algum coágulo. Isso nos preocupa muito como família”, declarou.

A ex-primeira-dama também disse que Bolsonaro permaneceu em jejum aguardando a realização de exames, que não foram autorizados até o momento. “Ele ficou em jejum justamente por conta dos exames. Ficamos nessa expectativa o dia todo”, afirmou. Diante da situação, ela disse que levou alimentação leve no período da noite.

Michelle relatou ainda conversas com peritos e autoridades ao longo do dia. Segundo ela, inicialmente houve orientação para que Bolsonaro fosse encaminhado ao hospital para exames. “Depois chegou a informação de que precisava de uma nova petição com laudo pericial e pedidos de exame. A gente não entendeu”, disse. Ela afirmou que, até a noite, não havia resposta definitiva sobre o pedido apresentado.

Na decisão, o ministro do STF Alexandre de Moraes negou o encaminhamento imediato ao hospital, citando avaliação do médico da Polícia Federal, que apontou apenas ferimentos leves e ausência de necessidade de hospitalização. A decisão, no entanto, ressalta que a defesa tem direito de solicitar exames, desde que o pedido seja feito com antecedência e indique os procedimentos necessários.

Segundo a Polícia Federal, Bolsonaro teria caído e batido a cabeça em um móvel do quarto, relatando o ocorrido à equipe de plantão, que realizou o atendimento no local. A situação ganhou repercussão após Michelle Bolsonaro divulgar o caso e informar, inicialmente, que o ex-presidente seria levado ao hospital DF Star, informação que chegou a ser confirmada pela PF, mas depois condicionada à autorização do Supremo.