Com US$ 202 milhões exportados, Cristalina amplia peso na economia de Goiás
22 setembro 2026 às 11h59

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Cristalina, no Entorno do Distrito Federal, alcançou US$ 202,3 milhões em exportações no primeiro semestre de 2025 e reforçou a posição de destaque na economia de Goiás. O resultado, divulgado pela Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, é sustentado principalmente pela força da produção agrícola, pela ampla área irrigada e pela diversidade de culturas, fatores que permitem ao município manter lavouras ao longo de diferentes períodos do ano e abastecer os mercados nacional e internacional.
Localizada no Leste goiano, na divisa com Minas Gerais e próxima ao Distrito Federal, Cristalina ocupa uma posição estratégica para o escoamento da produção. O município tem acesso a importantes rodovias e está perto de grandes centros consumidores, como Brasília, Goiânia e cidades mineiras.
A combinação entre disponibilidade de terras, tecnologia no campo, irrigação e logística fez com que a economia local deixasse de depender de uma única cultura. Além de soja e milho, as propriedades rurais produzem alho, cebola, batata, feijão, café, tomate, frutas e hortaliças.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que Cristalina tinha população estimada em 66.827 habitantes em 2025 e PIB per capita de R$ 91,5 mil. Os números ajudam a dimensionar o peso da atividade econômica em uma cidade de médio porte populacional.
Irrigação sustenta produção em diferentes períodos
Um dos principais diferenciais de Cristalina está na agricultura irrigada. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com dados de 2024, identificou 69.579 hectares irrigados por pivôs centrais no município.
Com essa extensão, Cristalina aparece entre as quatro cidades brasileiras com as maiores áreas irrigadas por esse tipo de equipamento, atrás de São Desidério, na Bahia, e de Paracatu e Unaí, em Minas Gerais.
A irrigação reduz a dependência exclusiva do período chuvoso e permite o cultivo em diferentes épocas. Em algumas propriedades, a estrutura possibilita a realização de até três safras no mesmo ano. Essa capacidade aumenta a produtividade e mantém a circulação de produtos, trabalhadores e serviços durante mais meses.
O uso intenso da irrigação, porém, também amplia o debate sobre disponibilidade de água, preservação de nascentes e planejamento ambiental. A expansão das lavouras depende de uma gestão capaz de conciliar produção agrícola e segurança hídrica, principalmente durante os meses de seca no Cerrado.
O levantamento nacional mais recente da Embrapa identificou cerca de 2,2 milhões de hectares irrigados por pivôs centrais no Brasil em 2024, crescimento de aproximadamente 14% em relação a 2022. A presença de Cristalina entre os maiores polos do país mostra a relevância do município nesse processo de modernização do campo.
Produção diversificada movimenta economia local
A força agrícola de Cristalina não está limitada aos grãos. Dados da Produção Agrícola Municipal, divulgados pelo IBGE e referentes a 2024, apontam o município como líder goiano na produção de batata-inglesa, alho e cebola.
No cultivo de alho, Cristalina respondeu por 66,2% da produção de Goiás em 2024 e foi o segundo maior produtor do país, segundo a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
A cidade também ocupa posições de destaque nacional na produção de soja, cebola e batata. A diversidade reduz parte dos riscos provocados pela oscilação de preços de uma única mercadoria e amplia a presença do município em diferentes cadeias produtivas.
A produção rural movimenta uma rede que vai além das propriedades agrícolas. Transportadoras, oficinas de máquinas, revendas de insumos, armazéns, empresas de tecnologia, prestadores de serviços, supermercados, restaurantes e o mercado imobiliário são diretamente influenciados pelo desempenho das lavouras.
O crescimento também provoca novos desafios. A expansão econômica aumenta a demanda por moradia, qualificação profissional, transporte, energia elétrica, segurança, saúde, educação e manutenção das estradas utilizadas para o escoamento das safras.
Exportações colocam município no mercado internacional
O volume de US$ 202,3 milhões exportado no primeiro semestre de 2025 mostra que a produção de Cristalina ultrapassa as fronteiras de Goiás e do Brasil. O comércio exterior conecta a economia municipal às oscilações do dólar, aos preços internacionais das commodities e às exigências sanitárias e ambientais dos países compradores.
A relevância de Cristalina acompanha o desempenho do agronegócio goiano. Em 2025, Goiás exportou US$ 13,4 bilhões e encerrou o ano com superávit de US$ 8 bilhões na balança comercial. A pauta estadual permaneceu concentrada em produtos ligados ao campo, especialmente grãos, carnes e derivados.
Para Cristalina, o resultado das exportações também representa maior circulação de recursos na cidade. Parte desse movimento chega ao comércio e ao setor de serviços por meio da geração de empregos, da contratação de fornecedores e da realização de investimentos nas propriedades.
Ao mesmo tempo, a dependência do agronegócio deixa a economia local exposta a períodos de seca, redução da produtividade, queda nos preços internacionais, aumento dos custos de produção e mudanças nas políticas comerciais de outros países.
Crescimento exige planejamento
A expansão econômica tem levado diferentes setores da cidade a discutir planejamento, sucessão familiar, qualificação de trabalhadores e os impactos da reforma tributária. Em 16 de setembro, um encontro realizado na agência Sicredi Agro reuniu 92 participantes ligados ao agronegócio, à indústria, à construção civil e ao varejo.
Promovida pela BRL Educação, a atividade tratou de gestão, tributação, organização financeira e continuidade de empresas familiares. O encontro funciona como reflexo de uma economia que cresceu em torno da agricultura, mas que agora precisa lidar com desafios mais amplos de administração, infraestrutura e formação de mão de obra.
A reforma tributária esteve entre os assuntos discutidos por causa das possíveis mudanças na cobrança de impostos, nos custos operacionais e na formação dos preços. Para uma cidade com forte participação nas exportações e nas cadeias do agronegócio, a transição para o novo sistema poderá exigir adaptações de produtores, indústrias, transportadoras e prestadores de serviços.
Mais do que o desempenho isolado de um setor, os números mostram a transformação de Cristalina em um polo econômico de alcance nacional. A manutenção desse avanço, no entanto, dependerá da capacidade de o município converter a riqueza gerada no campo em infraestrutura, serviços públicos, oportunidades de trabalho e melhoria da qualidade de vida da população.
