Economia
Por Cintia Ferreira
A pré-candidata a deputada federal pelo PSD, Carol Fleury, criticou o acordo firmado entre o Governo do Distrito Federal (GDF) e o Governo Federal para ampliar a capacidade de endividamento do DF em meio à crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB). Segundo Carol, o discurso de que o governo local teria "salvado" a instituição financeira não corresponde aos fatos e desconsidera a atuação da União no processo.
Durante entrevista ao Jornal Opção Entorno, Carol afirmou que a principal discussão deve estar concentrada nas causas do déficit bilionário atribuído ao banco. Segundo ela, estimativas apontam valores que variam entre R$ 5 bilhões e R$ 16 bilhões. "Primeiro, a gente precisa saber quem criou o rombo e quem quebrou o banco. Depois, o governo busca aumentar a capacidade de endividamento para pegar empréstimos e cobrir esse déficit", afirmou.
Na avaliação ela ainda falou sobre, a ampliação da capacidade de crédito do Distrito Federal pode comprometer investimentos e serviços públicos. Ela argumenta que a obtenção de novos financiamentos exige medidas de austeridade fiscal, o que pode limitar reajustes salariais, contratações e investimentos em áreas essenciais. "Você salva o banco e quebra o Estado? Alguém faz uma má gestão e depois é a população quem paga essa conta", criticou.
Carol Fleury também defendeu que o BRB retome sua função de banco de desenvolvimento regional, voltado ao fortalecimento de micro e pequenas empresas, ao fomento da economia local e à gestão de recursos estratégicos, como o Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO).
Carol Fleury, ampliou as críticas para outras áreas da administração distrital. Segundo ela, problemas históricos em setores como saúde, segurança pública e assistência social se agravaram nos últimos anos.
Na saúde, Carol afirmou que o sistema público do Distrito Federal enfrenta dificuldades para atender a demanda da população. Segundo ela, municípios do Entorno, que tradicionalmente dependiam da estrutura hospitalar de Brasília, passaram a receber pacientes vindos da capital.
Já na segurança pública, apontou aumento da sensação de insegurança em regiões tradicionalmente consideradas tranquilas, como o Plano Piloto. Entre os problemas citados estão falhas na iluminação pública e registros de assaltos e invasões de residências.
Criticou as políticas voltadas à população em situação de rua e afirmou que houve crescimento da extrema pobreza no Distrito Federal. Como exemplo, mencionou a comunidade de Santa Luzia, na Estrutural, onde, segundo ela, ainda existem problemas relacionados ao saneamento básico. "Estamos falando da capital do país convivendo com situações de extrema pobreza e esgoto a céu aberto a poucos quilômetros do centro do poder", afirmou.
Fiscalização e eleições de 2026
Carol Fleury ressaltou que uma das principais funções do Poder Legislativo é fiscalizar a atuação do Executivo e afirmou que continuará acompanhando temas relacionados à gestão pública e ao uso de recursos do Distrito Federal.
Ao final da conversa, também defendeu a construção de um projeto político alternativo para o DF nas eleições de 2026 e reafirmou apoio ao grupo liderado pelo ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que vem se destacando nas pesquisas de intenções de voto.
Segundo ela, a proposta é promover mudanças na administração pública e enfrentar os problemas apontados pela população em áreas consideradas prioritárias.
Sergio Lazzarini é professor e especialista em governança corporativa avalia que venda da instituição seria o caminho mais viável para superar a crise; posição contrasta com a estratégia adotada pelo GDF.
Agências vão fechar duas horas antes das partidas da Seleção Brasileira; aplicativos, internet banking e Pix seguirão funcionando normalmente.
Senador afirma que empréstimo para capitalizar o banco compromete futuras gestões, afeta investimentos em áreas essenciais e cobra bloqueio de bens dos responsáveis pelas fraudes.
Proposta ratifica acordo homologado pelo STF, autoriza garantias do GDF e divide parlamentares sobre impactos fiscais e transparência da operação.
Nelson Antônio de Souza reconhece prejuízo bilionário ligado ao Banco Master, defende plano de recuperação e é pressionado por parlamentares sobre transparência, capitalização e possível interferência política.
Convocado pela Comissão de Assuntos Econômicos, Nelson Antônio de Souza deve prestar esclarecimentos sobre negócios firmados entre o banco público do DF e o Master, alvo de investigações e questionamentos no mercado financeiro.
Valor cobrado pela Terracap em Vicente Pires chega a R$ 850 por metro quadrado, enquanto no Caub o preço médio foi de R$ 3; deputado aciona TCDF e pede suspensão de edital.
Por Cíntia Ferreira
Estimativas apresentadas por deputados da oposição apontam que operação de até R$ 6,6 bilhões pode resultar em desembolso entre R$ 13 bilhões e R$ 23 bilhões ao longo de 15 anos; governo ainda não detalhou condições finais do contrato
O empréstimo que o Governo do Distrito Federal pretende contratar para recompor o patrimônio do Banco de Brasília (BRB) segue no centro do debate político e econômico na capital. Enquanto o Executivo defende a operação como parte do acordo firmado com a União para fortalecer a instituição financeira, parlamentares da oposição alertam para o impacto que a medida poderá causar nas contas públicas ao longo dos próximos anos.
Segundo projeções apresentadas por deputados distritais, o financiamento de até R$ 6,6 bilhões pode gerar um custo total que varia entre R$ 13 bilhões e R$ 23 bilhões, dependendo das condições que forem adotadas no contrato. As estimativas foram elaboradas com base em diferentes cenários de juros e prazos, já que o governo ainda não divulgou oficialmente os detalhes da operação.
Nesta semana, o Executivo encaminhou à Câmara Legislativa um projeto de lei para ratificar o acordo firmado entre o Distrito Federal e a União, autorizando a contratação do empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). No entanto, a proposta não chegou a ser votada após a base governista não reunir o número mínimo de deputados necessário para apreciação da matéria em plenário.
A expectativa é que o tema retorne à pauta nos próximos dias.
Oposição cobra transparência
Deputados da oposição afirmam que a ausência de informações detalhadas sobre a operação dificulta a análise do impacto financeiro da medida. Entre os principais questionamentos estão a taxa de juros efetiva, as garantias envolvidas, o cronograma de pagamento e os mecanismos que serão adotados para a recuperação financeira do banco.
As projeções apresentadas pelos parlamentares consideram três cenários distintos.
No primeiro, baseado em informações atribuídas ao secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, durante reunião com parlamentares, a taxa de juros seria de IPCA mais 4,5% ao ano. Considerando um prazo de 15 anos para pagamento, o custo total da operação poderia alcançar R$ 23 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 17 bilhões corresponderiam apenas aos juros.
Em uma segunda simulação, considerada mais favorável aos cofres públicos, a dívida teria dois anos de carência e juros calculados sobre o saldo devedor, reduzindo gradualmente o valor das parcelas. Nesse cenário, o desembolso total ficaria em torno de R$ 13,4 bilhões, sendo R$ 6,91 bilhões referentes aos encargos financeiros.
Já uma terceira projeção, elaborada pelo gabinete do deputado Gabriel Magno (PT), considera juros de 1,4% ao mês e pagamento em 180 parcelas. Nessa hipótese, o custo final do contrato chegaria a R$ 17,84 bilhões. As prestações mensais ficariam próximas de R$ 100 milhões durante os 15 anos de vigência do empréstimo.
Debate deve continuar
A proposta divide opiniões na Câmara Legislativa. Enquanto o governo sustenta que a operação é necessária para garantir a estabilidade financeira do BRB e cumprir o acordo firmado com a União, parlamentares da oposição defendem que a população e os deputados tenham acesso aos detalhes completos antes da aprovação do projeto.
Até o momento, o Governo do Distrito Federal não divulgou oficialmente a taxa de juros, o cronograma de pagamento nem a estrutura definitiva da operação financeira. A falta dessas informações tem sido o principal argumento utilizado pelos críticos da proposta, que pedem mais transparência antes da votação da matéria.
Com a discussão adiada, a expectativa é de que o tema continue mobilizando o debate político no Distrito Federal nas próximas semanas, especialmente diante do potencial impacto bilionário que a operação poderá ter sobre as finanças públicas do DF.
GDF busca autorização dos deputados para operação de crédito de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos, mas falta de quórum impede análise do projeto.
