Uma fotografia produzida na Chapada dos Veadeiros, no Entorno do DF, colocou o Cerrado brasileiro em evidência no cenário internacional da fotografia ambiental. O fotógrafo e geógrafo Márcio Cabral, egresso da Universidade de Brasília (UnB), conquistou o Grande Prêmio Global do 17º Green Storm Photography Festival com a imagem intitulada Pandora.

O registro mostra o arco da Via Láctea sobre um campo de chuveirinhos, plantas também conhecidas como sempre-vivas e encontradas na região da Chapada dos Veadeiros. A composição destaca a vegetação característica do bioma em contraste com o céu estrelado.

A fotografia foi escolhida entre 14.513 imagens inscritas por artistas de 177 países. O resultado foi anunciado durante a programação da 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17 da UNCCD), realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia.

A produção da imagem exigiu planejamento técnico para coincidir o posicionamento da Via Láctea com condições climáticas favoráveis. O fotógrafo aguardou um período de ausência de vento, por volta das 22h, e utilizou iluminação foto-óptica especializada para registrar os detalhes da vegetação.

A espécie retratada é identificada como Coracoralina chiquitensis, do gênero Paepalanthus, associada ao nome da escritora goiana Cora Coralina. Conforme a descrição apresentada pelo projeto fotográfico, a planta também tem importância ambiental por funcionar como bioindicadora de condições relacionadas à presença de água subterrânea.

Reconhecimento internacional

A conquista de Márcio Cabral no festival integra uma trajetória de premiações e exposições internacionais envolvendo fotografias do Cerrado e de outros ambientes naturais brasileiros.

Entre os reconhecimentos estão a vitória na categoria 360/VR do Epson International Pano Awards e no The Nature Photography Contest, além da publicação de trabalhos na revista Nature. Uma de suas imagens também integra o livro The Photographers, da National Geographic, que reúne 250 fotografias selecionadas pela publicação.

Outras obras relacionadas ao trabalho do fotógrafo receberam distinções em concursos como o International Garden Photographer of the Year (IGPOTY), o Nature’s Best Photography, nos Estados Unidos, e o Our Nature, na Hungria. Também estão entre os reconhecimentos premiações e participações no Smithsonian, no HIPA, em Dubai, no Xposure e no Oasis, na Itália.

Uma das fotografias foi exposta durante dois anos no Gasometer Oberhausen, na Alemanha, na mostra The Fragile Paradise. Outra integrou uma campanha de Ano-Novo da Canon no Japão, em 2026, que, segundo as informações divulgadas, alcançou aproximadamente 8 milhões de leitores.

Cerrado no centro do debate sobre a água

Além da valorização estética das paisagens naturais, o trabalho fotográfico chama atenção para a importância ambiental do Cerrado. Conhecido como Berço das Águas, o bioma abriga nascentes que contribuem para o abastecimento de oito das 12 grandes regiões hidrográficas brasileiras, desempenhando papel estratégico na disponibilidade de água, na produção de alimentos e na geração de energia.

O conjunto de imagens percorre diferentes paisagens naturais, incluindo as cavernas do Parque Estadual de Terra Ronca, as nascentes do Rio Sucuri, o Rio Olho D’Água e as cachoeiras da região da Serra da Bodoquena. Os registros exploram a relação entre biodiversidade, recursos hídricos e céu noturno.