O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, admitiu nesta terça-feira (9), durante audiência pública que durou cerca de 4 horas, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o banco enfrenta um prejuízo estimado em R$ 8,8 bilhões relacionado às operações envolvendo o Banco Master. A sessão foi marcada por questionamentos duros dos senadores Izalci Lucas (PL-DF), Damares Alves (Republicanos-DF), Leila do Vôlei (PDT-DF) e do presidente da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL).

Ao responder aos parlamentares, Nelson classificou a situação como “o maior rombo do sistema financeiro do mundo” e afirmou que o BRB trabalha para reestruturar a instituição e recuperar a confiança do mercado.

Durante a audiência, a senadora Leila do Vôlei fez as críticas mais contundentes. Ela questionou a capacidade do Governo do Distrito Federal de arcar com a capitalização bilionária proposta para socorrer o banco e sugeriu que houve interferência política nas negociações. “Mesmo que o senhor queira defender, não tem defesa. Teve interferência política nessa negociação”, afirmou a parlamentar.

Leila também questionou a falta de publicação dos balanços financeiros do BRB. Segundo ela, a ausência das demonstrações contábeis gera insegurança e falta de transparência para a população e para os investidores.

Em resposta, Nelson explicou que o banco apresentou um plano de capitalização ao Banco Central em fevereiro deste ano e que a demora na divulgação dos números decorre da necessidade de reavaliações contábeis após a liquidação de instituições financeiras ligadas ao caso, como a Reag e Will Bank, além da realização de auditorias independentes e forenses. “O maior interessado em publicar o balanço é o próprio BRB. Não publicamos por responsabilidade e transparência”, declarou.

O presidente do banco confirmou ainda que a capitalização pretendida pelo GDF será utilizada para recompor o patrimônio líquido da instituição, impactado pelas provisões relacionadas ao caso Master.

Senadores do DF participaram ativamente do encontro. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A senadora Leila também cobrou explicações sobre o plano de recuperação do BRB, que prevê a possibilidade de venda de ativos e subsidiárias. Nelson afirmou que essas alternativas permanecem no plano, mas disse que a intenção da atual gestão é evitar a alienação de ativos considerados estratégicos.

Segundo ele, o foco está na recuperação da carteira de clientes, na ampliação das receitas e na redução de despesas operacionais. O executivo revelou que gastos com publicidade e patrocínios foram reduzidos drasticamente nos últimos meses. Porém, ainda custam R$ 78 milhões para os cofres da instituição.

Outro momento de tensão ocorreu quando Renan Calheiros questionou a estratégia de expansão nacional adotada pelo BRB nos últimos anos, incluindo a aquisição de folhas de pagamento e depósitos judiciais em outros estados, incluindo Tocantins e Alagoas.

Nelson reconheceu que o banco ampliou sua atuação para além do Distrito Federal, alcançando operações em estados como Alagoas, Paraíba e Tocantins. No entanto, afirmou que a instituição não possuía estrutura de capital e pessoal compatível com o ritmo dessa expansão. “Houve uma política de desenvolvimento além de Brasília. Vieram operações de entes públicos e privados. Não vou comentar gestões passadas, mas talvez não tivéssemos estrutura de capital e de pessoas suficiente para sustentar esse crescimento”, declarou.

Questionado sobre a relação entre a administração da folha de pagamento do Tribunal de Justiça de Alagoas e os depósitos judiciais administrados pelo BRB, o presidente negou qualquer vínculo entre as operações. “Não tem nada a ver. Foram momentos diferentes e operações independentes”, respondeu.

A audiência também abordou o relatório da auditoria forense contratada pelo banco para investigar possíveis irregularidades. Nelson afirmou que todas as informações identificadas pelos auditores foram encaminhadas aos órgãos de controle e às autoridades competentes.

Segundo ele, o relatório identificou movimentações relacionadas a fundos de investimento que adquiriram participação acionária no BRB, além de operações consideradas suspeitas envolvendo carteiras de crédito e estruturas financeiras associadas ao Banco Master.

O debate ocorre em meio à tentativa do Governo do Distrito Federal de viabilizar uma capitalização de R$ 6,6 bilhões no BRB, operação que ainda depende de aval político e que vem provocando forte repercussão no Congresso Nacional e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Ao final da audiência, parlamentares defenderam maior transparência na divulgação dos números da instituição e cobraram responsabilização de eventuais envolvidos nas operações que levaram o banco à atual situação financeira. A senadora Damares Alves, disse que irá oficializar um pedido de reunião com o secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, afim de esclarecer pontos fundamentais das transações e da situação econômica que se encontra o DF.