Deputado distrital é suspeito em operação sobre desvio de R$ 46 milhões da educação do DF
12 março 2026 às 10h08

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Uma operação realizada na manhã desta quinta-feira (12) investiga um possível esquema de corrupção que teria desviado mais de R$ 46 milhões da educação pública do Distrito Federal. A ação foi conduzida pela Vice-Procuradoria-Geral de Justiça e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
Batizada de Operação Blackboard, a investigação apura crimes como corrupção, fraude em licitação, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo o Ministério Público, o esquema teria sido articulado dentro da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal.
Durante a operação, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão. Três deles ocorreram no estado de São Paulo, um em Goiás, um no Tocantins e os demais no Distrito Federal. A ação contou com apoio de grupos de combate ao crime organizado dos Ministérios Públicos de São Paulo, Goiás e Tocantins, além do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado da Polícia Civil do DF e da Polícia Militar de São Paulo.
De acordo com as investigações, o esquema envolvia a locação de um imóvel particular para funcionamento de uma escola pública. O prédio fica em um setor de motéis, na região da Candangolândia. A suspeita é de que o contrato tenha sido firmado sem processo regular de licitação e com valores acima do praticado.
Ainda segundo os investigadores, o imóvel seria utilizado para atender alunos do Centro de Ensino Fundamental I da região e também para sediar a Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante.
As apurações indicam a possível participação de agentes públicos, do deputado distrital Hermeto, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), e de outras pessoas no esquema investigado. Parte dos recursos que teriam sido desviados, segundo o Ministério Público, pode ter origem em emendas parlamentares destinadas de forma irregular.
Equipes da investigação também estiveram na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) durante a manhã para realizar diligências e recolher documentos.
A presença de investigadores do Gaeco e da Polícia Civil chamou a atenção de servidores e parlamentares ao longo da manhã. Até o momento, as autoridades não divulgaram detalhes sobre todos os alvos da operação nem informaram se houve outras medidas judiciais.
Nota da Secretaria de Educação
A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal informou que o processo citado nas investigações tramita em regime de sigilo, conforme previsto nas normas legais e para preservar o andamento das apurações.
A pasta também declarou que permanece à disposição das autoridades responsáveis pela investigação e que está pronta para fornecer informações e esclarecimentos sempre que necessário, com o objetivo de colaborar com os órgãos policiais e judiciais responsáveis pela apuração dos fatos.
A produção do Jornal Opção Entorno tenta contato com a assessoria do deputado citado. O espaço segue aberto para manifestação.
