Ex-presidente do BRB afirma à PF que Ibaneis determinou negociação com Banco Master
30 outubro 2026 às 10h00

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O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou à Polícia Federal (PF) que o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), determinou que ele estruturasse uma negociação para a venda de participação do banco público ao Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. A declaração foi feita em depoimento prestado em 15 de outubro e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o relato, a orientação teria sido dada durante um jantar realizado em 24 de setembro de 2024, na residência de Vorcaro, em Brasília. Paulo Henrique afirmou que recebeu uma convocação do gabinete do governador enquanto estava na Bahia e precisou retornar para participar do encontro.
Durante a reunião, Ibaneis teria apresentado Vorcaro ao então presidente do BRB e, em seguida, solicitado que ele estruturasse a venda do banco público ao Master. “Paulo, estrutura uma venda do BRB para o Master”, teria dito o governador, conforme a transcrição do depoimento.
Ainda segundo Paulo Henrique, durante o encontro, Vorcaro manifestou preocupação com possíveis mudanças no comando do governo após as eleições e pediu um acordo de acionistas que garantisse o controle da instituição financeira, mesmo com a troca de gestão no Distrito Federal.
Ex-presidente afirma que tentou barrar negociação
No depoimento, Paulo Henrique Costa disse que ficou surpreso com a orientação e procurou Ibaneis na manhã seguinte para manifestar sua contrariedade à operação.
O ex-dirigente afirmou que argumentou que uma eventual venda de participação poderia abrir caminho para a privatização do BRB. Também destacou a importância estratégica do banco para o Distrito Federal, especialmente na execução de programas sociais, no financiamento de políticas públicas e em projetos ligados ao governo.
Segundo ele, Ibaneis respondeu que a decisão caberia ao acionista majoritário, ou seja, ao Governo do Distrito Federal, responsável pelo controle da instituição. Paulo Henrique relatou que, apesar de sua resistência inicial, recebeu a orientação para avaliar modelos e estruturar a operação.
PF investiga participação de Vorcaro no BRB
A declaração ocorre no contexto das investigações sobre as operações financeiras envolvendo o BRB e o Banco Master. A Polícia Federal identificou dois aumentos de capital considerados fraudulentos pelos investigadores. As operações teriam permitido que fundos e pessoas ligadas a Daniel Vorcaro alcançassem uma participação de até 23,5% no banco público do Distrito Federal.
A suspeita é de que essas movimentações tenham sido estruturadas para dar sustentação financeira à tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. A operação foi barrada pelo Banco Central em setembro de 2025.
A investigação também apura a compra de carteiras de crédito do Master pelo banco brasiliense. Segundo os investigadores, as transações suspeitas ultrapassam R$ 12 bilhões e teriam provocado prejuízos à instituição pública.
Paulo Henrique Costa é investigado por suspeita de corrupção. A PF apura se ele teria recebido imóveis de luxo como contrapartida pelas operações envolvendo carteiras de crédito do Banco Master.
O ex-presidente do BRB nega irregularidades e sustenta que as aquisições faziam parte de uma estratégia de expansão da instituição, submetida às instâncias internas de governança e aprovada pelo banco.
O depoimento de Paulo Henrique Costa também contrasta com declarações anteriores da defesa de Ibaneis Rocha. Em manifestação divulgada em outro episódio relacionado ao caso, os advogados afirmaram que o então governador concedia autonomia ao presidente do BRB para tomar as decisões necessárias à administração da instituição.
O depoimento de Paulo Henrique foi encaminhado ao STF juntamente com relatório parcial da Polícia Federal que embasou o indiciamento do ex-presidente do BRB e de Daniel Vorcaro por suspeitas de crimes contra o sistema financeiro.
A defesa de Ibaneis não havia se manifestado até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto.
