Lula diz que Grass tem ‘informações importantes’ sobre BRB e cita tema no 2º turno no DF
07 outubro 2026 às 12h18

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta terça-feira (6), que o candidato ao Governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT) tem “informações importantes” sobre o Banco de Brasília (BRB) que deverão ser apresentadas durante o segundo turno das eleições no DF. Lula, no entanto, não explicou quais seriam essas informações.
A declaração foi feita durante discurso no QG da campanha presidencial de Lula, no Lago Sul, em Brasília. Grass estava ao lado do presidente no momento da fala. “Chegou a hora da verdade para o Brasil saber das coisas e o companheiro Leandro Grass trazer informações importantes sobre o BRB, que vamos discutir em um outro momento”, afirmou Lula.
A fala ocorre dois dias depois da definição do segundo turno para o Governo do Distrito Federal. Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) voltam a se enfrentar nas urnas no dia 25 de outubro.
A situação financeira do BRB se tornou um dos principais temas da campanha eleitoral no DF. O banco enfrenta uma crise relacionada às operações realizadas com o Banco Master durante a gestão anterior do Governo do Distrito Federal.
Grass tem usado o caso para criticar a atual gestão e cobrar explicações sobre a situação financeira da instituição. Celina, por sua vez, defende a recuperação do banco e afirma que pretende manter o BRB público, além de reforçar mecanismos de controle, transparência e gestão de riscos.
Apesar da declaração de Lula, nem o presidente nem Grass detalharam, até o momento, quais seriam as “informações importantes” mencionadas sobre o banco.
Apuração
Antes da declaração do presidente Lula, apuração do Jornal Opção Brasília/Entorno já havia revelado informações que Leandro Grass passou a explorar na campanha sobre movimentações financeiras envolvendo o BRB.
Reportagem publicada em 2 de outubro mostrou que documentos registraram a transferência de R$ 120 milhões do Fundo de Saúde do Distrito Federal para o BRB, onde os recursos foram aplicados em um Certificado de Depósito Bancário (CDB).
Segundo o Ofício nº 259/2026, da Secretaria de Saúde do DF, o dinheiro foi movimentado em 21 de setembro, saindo de uma conta do Fundo de Saúde no Banco do Brasil e sendo direcionado para uma conta no BRB. O documento administrativo que tratava da operação foi emitido no dia seguinte, em 22 de setembro.
Os documentos analisados pela reportagem mostram ainda que os R$ 120 milhões foram aplicados em CDB e renderam R$ 57.898,80 em um dia, elevando o montante para R$ 120.057.898,80. Em 23 de setembro, o Fundo de Saúde solicitou uma nova aplicação do valor no BRB, com prazo até 5 de outubro.
Grass passou a questionar publicamente a finalidade da operação e levantou a hipótese de que os recursos teriam sido direcionados ao banco para reforçar temporariamente sua situação financeira. “Dinheiro da saúde é para salvar vidas. Não é para socorrer banco”, criticou o candidato.
Os documentos confirmam a transferência e as aplicações financeiras, mas não comprovam que a finalidade da operação tenha sido socorrer, capitalizar ou alterar indicadores financeiros do BRB, como sustenta Grass. Até o momento, também não há decisão de órgão de controle que tenha estabelecido irregularidade na movimentação.
O caso chegou ao Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) após representação apresentada pelo deputado distrital Gabriel Magno (PT), que pediu a suspensão e a reversão da transferência.
Na ocasião, Celina Leão rebateu as acusações e afirmou que Grass “trabalha contra o BRB”. A assessoria da governadora também classificou as acusações como falsas. Nas manifestações localizadas pela reportagem, porém, não havia sido detalhada a finalidade específica da transferência dos R$ 120 milhões nem a razão para a aplicação dos recursos em CDB no BRB.
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