A importação de medicamentos usados para emagrecimento e controle do diabetes disparou no Brasil e já ultrapassa, em valores, até a compra de celulares no exterior.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) mostram que as importações de remédios como Ozempic e Mounjaro chegaram a US$ 1,669 bilhão — o equivalente a cerca de R$ 9 bilhões —, registrando alta de 88% em comparação com o ano anterior. O montante ficou acima do gasto com a importação de celulares no mesmo período.

Apesar do crescimento na procura, a Sociedade Brasileira de Medicina recomenda que o uso das chamadas “canetas emagrecedoras” seja feito com moderação e sob recomendação médica, já que se trata de um tratamento que exige acompanhamento profissional.

A endocrinologista dra. Lorena Lima Amato explica os detalhes da versão da caneta produzida no Brasil. Foto: Reprodução

Caneta brasileira

A endocrinologista Dra. Lorena Lima Amato explica que, recentemente, o Brasil passou a produzir um medicamento indicado para o tratamento do diabetes e também associado à redução de peso em pessoas com obesidade.

Segundo a especialista, os resultados variam de acordo com cada paciente, mas estudos com a substância liraglutida indicam que, após cerca de um ano de uso, é possível observar uma perda média de 8% a 12% do peso corporal, desde que haja seguimento adequado.

A médica detalha que esses medicamentos atuam como análogos do GLP-1, um hormônio produzido naturalmente pelo organismo e ligado ao controle do apetite e da glicemia. “São moléculas que imitam um peptídeo intestinal que nós já produzimos. O medicamento funciona como um reforço, com doses maiores do que as fisiológicas, ajudando no controle da glicemia e na redução do apetite”, explica.

Ainda de acordo com a endocrinologista, muitos pacientes começam a perceber mudanças entre 4 e 8 semanas após o início do tratamento, dependendo da adaptação ao aumento gradual das doses e da regularidade no acompanhamento.

Entre as versões nacionais disponíveis, estão Oliri e Lirux, ambas à base de liraglutida. Antes da quebra de patente, a substância era mais conhecida pelos nomes comerciais Saxenda e Victoza, utilizados para o controle do diabetes e o auxílio na perda de peso.

Atualmente, as canetas emagrecedoras produzidas no país custam, em média, entre R$ 300 e R$ 350.