A Secretaria de Saúde de Valparaíso de Goiás apresentou, na Câmara Municipal, o balanço das ações realizadas no 3º quadrimestre de 2024 e no 1º quadrimestre de 2025. A exposição foi feita pela secretária da pasta e primeira-dama, Luciana Mendes, em sessão acompanhada pelo prefeito Marcus Vinícius (MDB). Durante a apresentação, o gestor elogiou o trabalho da equipe e afirmou que o município já pode ser considerado “referência em Goiás”.

O relatório mostrou avanços em alguns serviços, como aumento nas consultas reguladas e mais testes rápidos, mas também revelou dificuldades importantes, entre elas a alta nos casos de dengue e Covid-19 e a queda expressiva em cirurgias eletivas.

Segundo os dados oficiais, as notificações de dengue passaram de 558 para 991, e os casos confirmados subiram de 404 para 523. No caso da Covid-19, as notificações cresceram de 1.201 para 1.663, enquanto os diagnósticos confirmados mais que dobraram, de 115 para 227.

Entre as críticas mais frequentes à saúde do município está a dificuldade para marcar exames de sangue. Reportagem do Jornal Opção Entorno mostrou que moradores precisavam chegar à Central de Regulação, no Parque Rio Branco, por volta das 4h da manhã para garantir uma das 40 fichas distribuídas diariamente. Durante a sessão, o prefeito anunciou que o agendamento passará a ser digital, o que, segundo ele, vai acabar com as filas.

Outra reclamação da população é o fechamento do Centro de Atendimento Integral à Saúde (CAIS). A Secretaria informou que o prédio será substituído por uma nova unidade, prometida para ser entregue em até 21 meses. No entanto, ainda não foi divulgado de onde virão os recursos para a obra. Com o fechamento da unidade de saúde, municípios vizinhos já contabilizam aumentos em suas unidades.

Avanços e retrocessos

A entrega de medicamentos e insumos básicos se manteve em cerca de 31 mil unidades. Já a distribuição nas farmácias municipais caiu de 4,9 milhões de medicamentos, no fim de 2024, para 3,7 milhões no início de 2025.

O Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) ampliou os atendimentos: os testes rápidos aumentaram de 1.279 para 1.909, e as orientações subiram de 318 para 444. Por outro lado, as consultas psicológicas reduziram de 160 para 68, e a distribuição de preservativos caiu de 36,9 mil para 31,4 mil.

Na área de vigilância em saúde, os imóveis visitados no combate ao mosquito da dengue passaram de 48,4 mil para 57,8 mil. O índice de infestação (LIRA), porém, subiu de 0,4% para 1,5%.

Em relação à saúde animal, os atendimentos passaram de 1.830 para 3.050, mas a vacinação caiu drasticamente, de 9.185 para apenas 132.

Queda em cirurgias

Um dos pontos mais críticos do balanço foi a redução das cirurgias eletivas, que despencaram de 1.878 para apenas 121 procedimentos. Já as consultas reguladas subiram de 13,9 mil para 20,5 mil.

Os exames laboratoriais também caíram, de 106,6 mil para 93,6 mil. Por outro lado, aumentou o número de pacientes atendidos com oxigenoterapia domiciliar, que passou de 425 para 539, com quase 3 mil cilindros distribuídos no período.

O quadro de servidores efetivos se manteve praticamente estável, com 364 profissionais.

Perspectivas

O balanço mostra avanços em alguns setores, mas também evidencia desafios que impactam diretamente a população, como a queda nas cirurgias eletivas, a baixa vacinação animal e o crescimento dos casos de dengue. A promessa do fim das filas para exames e a construção de uma nova unidade de saúde em substituição ao CAIS foram apresentadas como medidas futuras, mas sem prazos definidos ou detalhamento sobre os recursos necessários.