Maioria dos brasilienses pretende comprar presentes no Dia das Mães, aponta pesquisa
07 maio 2026 às 12h10

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*Por Cíntia Ferreira
Comércio do Distrito Federal espera aumento nas vendas, apesar da queda no nível de otimismo em relação a 2025. Segundo pesquisa do Instituto Fecomércio-DF, 83,2% dos consumidores pretendem comprar presentes para a data comemorativa, considerada uma das mais importantes do calendário do varejo.
Entre os lojistas, a expectativa também é positiva: 67% acreditam em aumento nas vendas em comparação com o ano passado.
O levantamento mostra que o setor aposta em ações promocionais e estratégias de marketing para impulsionar o faturamento. Entre os comerciantes entrevistados, 78,3% afirmaram que pretendem investir em iniciativas para atrair consumidores. As vitrines temáticas lideram as estratégias, com 19,59% das citações, seguidas pela ampliação da diversidade de produtos (16,67%), propagandas (15,83%), montagem de kits promocionais (13,75%) e promoções especiais (13,75%).
Além disso, 58,4% dos lojistas informaram que reforçaram os estoques para atender à demanda esperada durante o período.
Mesmo diante do cenário econômico desafiador, a maior parte do comércio não pretende reajustar preços. Segundo a pesquisa, 78,3% dos empresários afirmaram que vão manter os mesmos valores praticados em 2025. Outros 14,2% disseram que planejam reduzir os preços para atrair consumidores, enquanto 7,5% avaliam aumentar os valores em cerca de 7,56%, principalmente devido ao reajuste anual e ao aumento de custos repassados por fornecedores.
Café da manhã e flores lideram preferência dos consumidores
A pesquisa identificou mudanças no perfil de consumo dos brasilienses em relação ao ano passado. Em 2025, os itens mais procurados foram cosméticos e perfumes (27,6%), roupas e acessórios (19,9%) e calçados (11,2%).
Neste ano, porém, a preferência migrou para presentes ligados à experiência e ao apelo afetivo. As cestas de café da manhã aparecem na liderança, com 17,3% das intenções de compra, seguidas por flores (14,6%) e cosméticos e perfumes (12,3%).
Na sequência aparecem calçados e acessórios (10,8%), chocolates e trufas (10,4%), joias e bijuterias (10%), roupas e acessórios (6,9%), almoço ou jantar (5,8%), sessões de beleza (4,2%), livros (3,9%) e eletroeletrônicos (2,3%).
Outro dado apontado pela pesquisa é a redução do ticket médio. O valor médio gasto pelos consumidores caiu cerca de 13% em relação ao ano anterior, passando de R$ 245,74 para R$ 213,79.
Pix ultrapassa cartão de crédito
O comportamento dos consumidores também mudou na forma de pagamento escolhida para as compras do Dia das Mães.
Em 2025, o cartão de crédito liderava com 45% da preferência. Em 2026, o percentual caiu para 34%. Já o Pix apresentou crescimento e passou a ocupar a primeira posição, concentrando 35,7% das intenções de pagamento.
O débito aparece na sequência, com 21,7%, enquanto o dinheiro representa 8,5% das escolhas.
Shoppings e lojas de rua concentram maioria das compras
As lojas físicas continuam sendo o principal destino dos consumidores no Distrito Federal. Os estabelecimentos localizados em shoppings centers e em ruas ou bairros concentram 67,4% das intenções de compra.
Já os canais digitais representam 20,2% da preferência dos consumidores.
O estudo também revela os hábitos de compra dos brasilienses. A maior parte dos entrevistados pretende realizar as compras no período da tarde, opção escolhida por 44,5% dos consumidores. A noite aparece em seguida, com 31,3%, enquanto a manhã concentra 24,2%.
Os finais de semana devem registrar o maior fluxo de consumidores. O sábado lidera a preferência, citado por 28,9% dos entrevistados. Sexta-feira e domingo aparecem empatados, ambos com 16,9%.
Consumidores valorizam atendimento e criticam preços altos
Na avaliação da experiência de compra, o bom relacionamento com a loja foi apontado por 33,4% dos entrevistados como principal motivo para recomendar um estabelecimento.
Por outro lado, 32,8% afirmaram que os preços elevados são o principal fator que leva à rejeição de uma loja.
Entre os consumidores que não pretendem comprar presentes neste Dia das Mães, o principal motivo apontado é não ter quem presentear, resposta citada por 61,5% desse grupo.
Outros 15,4% atribuíram a decisão ao desemprego. Já 11,5% afirmaram enfrentar dificuldades financeiras, enquanto 7,7% relataram dificuldade em escolher presentes. Outros 3,9% disseram ter prioridades diferentes para os gastos.
Comércio mantém expectativa positiva, mas confiança recua
A série histórica do levantamento mostra que o nível de confiança do comércio apresentou queda em 2026, após atingir o melhor resultado da série no ano passado.
Em 2025, 80% dos lojistas afirmavam esperar vendas maiores em relação ao ano anterior. Neste ano, o percentual caiu para 67%.
Outros 25% acreditam que o desempenho deve permanecer estável, enquanto 8% projetam retração nas vendas.
Segundo o Instituto Fecomércio-DF, o índice geral de otimismo ficou em 17,4%.
O presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, afirma que fatores econômicos influenciam a percepção mais cautelosa do setor.
“Esse recuo no otimismo pode estar ligado aos juros altos e ao alto nível de endividamento e inadimplência das famílias do Distrito Federal. Ainda assim, esperamos que a data movimente o comércio devido à tradição e forte apelo emocional no Dia das Mães”, afirmou.
