Um avião com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou a Nova York na noite deste sábado, 3 (por volta das 18h40 horário de Brasília), após uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos que resultou na captura do líder venezuelano e de sua esposa, em Caracas.

De acordo com o comando da operação, Maduro foi retirado da capital venezuelana por via marítima e, em seguida, embarcado em uma aeronave americana que partiu do sul de Cuba, nas proximidades da base de Guantánamo, com destino ao Aeroporto Internacional de Stewart, no estado de Nova York.

A ofensiva militar, segundo o governo dos EUA, partiu de 20 bases e envolveu cerca de 150 aeronaves. O general Daniel Caine, responsável pela operação, afirmou que Maduro se rendeu sem oferecer resistência.

“Às 22h46, no horário do Leste, o presidente ordenou que as Forças Armadas dos Estados Unidos prosseguissem com a missão. Ele nos desejou boa sorte e pediu que Deus nos acompanhasse. Essas palavras foram transmitidas a toda a força conjunta”, disse o general em coletiva.

Caine afirmou ainda que agências de inteligência americanas, como a CIA e a NSA, atuaram durante meses para mapear os deslocamentos de Maduro. Segundo ele, os serviços reuniram informações detalhadas sobre a rotina do presidente venezuelano, incluindo locais frequentados e padrões de comportamento.

A chegada das forças especiais ao complexo onde Maduro estava ocorreu às 2h01, no horário local da Venezuela. O general relatou que as equipes foram recebidas com disparos ao entrarem na área alvo, na região central de Caracas, e responderam “em legítima defesa, de forma esmagadora”. Ainda segundo o comando americano, Maduro e a esposa se entregaram logo depois, sem resistência.

Em entrevista coletiva, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país assumirá temporariamente a administração da Venezuela. Segundo ele, a medida tem como objetivo garantir o que chamou de uma “transição segura e apropriada”.

De acordo com autoridades americanas, Nicolás Maduro ficará detido em regime de isolamento enquanto o governo dos EUA define os próximos passos em relação ao seu futuro.

Análise

Para Eduardo Galvão, professor de Políticas Públicas no Ibmec, autor do livro Riscos Políticos na América Latina, o impacto mais perigoso da operação não está no ataque em si, mas no período que se segue.

“Os ataques dos Estados Unidos à Venezuela e a alegada captura de Nicolás Maduro produzem um choque imediato. Explosões, declarações duras, reações internacionais. Tudo isso cria a sensação de clímax, como se o ponto decisivo tivesse sido alcançado. Mas a análise de risco político aponta justamente para o contrário. O momento mais perigoso raramente é o do ataque. É o dia seguinte”, afirma.

Segundo Galvão, há um erro recorrente em intervenções externas: confundir a remoção da liderança com a solução do problema. “Regimes autoritários não são pessoas, são sistemas. Eles sobrevivem porque distribuem poder, recursos e coerção em múltiplas camadas. Quando o líder cai, o sistema não desaparece automaticamente. Ele entra em estado de reorganização, e é nesse intervalo que o risco se multiplica.”

O especialista destaca que o maior perigo do pós-ataque não é uma resistência aberta, mas o vácuo de poder. “Com o enfraquecimento da autoridade central, surgem disputas silenciosas por comando, controle territorial e acesso a recursos estratégicos. Cadeias de comando se fragmentam, unidades passam a agir com mais autonomia e estruturas formais convivem com arranjos improvisados”, diz.

Nesse cenário, as Forças Armadas passam a ocupar o centro da equação política. “Mais do que fiadoras ideológicas de um regime, elas funcionam como árbitras do poder real. A decisão não é moral, é estratégica: sustentar uma ordem emergencial ou negociar uma transição. Resistir ou pactuar. Esses cálculos envolvem custos, preservação institucional e garantias futuras”, avalia.

Galvão ressalta ainda que o desfecho da crise ultrapassa as fronteiras venezuelanas. “O dia seguinte não se resolve apenas no plano doméstico. Ele se desenrola em um tabuleiro maior. A Venezuela deixa de ser apenas um problema interno e passa a funcionar como mensagem para aliados, adversários e outros regimes sob estresse em diferentes regiões do mundo.”

Fronteira com a Venezuela está tranquila. Foto: Jean Oliveira/Arquivo pessoal

Fronteira Brasil – Venezuela

O governo de Roraima informou que acompanha com atenção os desdobramentos da ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela e possíveis impactos na estabilidade regional. Em nota, o estado afirmou que mantém contato permanente com órgãos federais e que as fronteiras seguem abertas, com monitoramento das forças de segurança, sem registro de alterações na rotina da população.

Segundo as autoridades, a posição geográfica faz com que Roraima mantenha relações históricas de cooperação com países vizinhos, como Venezuela e Guiana. O governo estadual defendeu que a crise seja tratada por meios diplomáticos e destacou que, de acordo com o Ministério da Defesa, a fronteira entre Brasil e Venezuela permanece tranquila e sob acompanhamento contínuo. De acordo com José Mucio Monteiro Filho, Ministro da Defesa, cerca de 1500 militares do Exército, Aeronáutica e Marinha, fazem a segurança nos limites do território nacional.