Durante uma agenda oficial, a governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o governo estuda a distribuição do medicamento conhecido como Mounjaro por meio da rede pública de saúde.

Segundo especialistas, o Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida, é um medicamento utilizado principalmente no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Ele atua em dois hormônios do organismo para ajudar no controle do açúcar no sangue, regular o apetite e auxiliar na perda de peso. O uso é indicado para adultos e deve ser feito com acompanhamento médico, associado à alimentação adequada e à prática de atividades físicas.

Ao explicar o cenário atual, Celina Leão afirmou: “O que acontece hoje? Qualquer médico, se você for num consultório, qualquer médico, ele vai te receitar esse tipo de medicamento, que é a tirzepatida, que é o princípio ativo, para que as pessoas que estão com obesidade mórbida possam tomar o medicamento”.

A governadora destacou que, na rede pública, o acesso ao medicamento ainda é limitado. “As pessoas que estão hoje acessando o SUS não têm acesso a esse medicamento, a não ser que seja um protocolo local. Então, vários estados já começaram a criar esse protocolo”, disse.

Segundo Celina Leão, o tema já foi levado à Secretaria de Saúde do DF. “Eu solicitei isso ao nosso secretário de saúde, ele já está montando um protocolo para realmente fazer o estudo, qual é o peso, de onde que vai sair os medicamentos, para que a gente possa disponibilizar isso para o SUS”, afirmou.

Ainda de acordo com governadora em exercício, a proposta pode representar um avanço para a saúde pública. “Isso, em termos de economia e de saúde pública, é um grande avanço. A tecnologia está aí para ser usada”, declarou. Ela também mencionou que pessoas com melhores condições financeiras já utilizam o medicamento e relataram mudanças na qualidade de vida e em indicadores de saúde.

As declarações, no entanto, causaram desconforto em parte da população por ocorrerem em um momento de crise na saúde pública do Distrito Federal. Nesta quarta-feira (7), o Jornal Opção Entorno, publicou através de uma reportagem, a decisão da Justiça do DF que determinou que o Governo do Distrito Federal (GDF) pague R$ 69.033.017,41 ao Hospital da Criança de Brasília José Alencar, no prazo de 48 horas.

A liminar foi concedida na sexta-feira, 2 de janeiro, em ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Segundo o órgão, o hospital integra a rede pública de saúde e depende de repasses regulares para garantir o funcionamento, o pagamento de funcionários, a compra de medicamentos e insumos, além da manutenção de leitos de UTI pediátrica.

De acordo com o MPDFT, os repasses não foram feitos de forma regular, o que teria causado prejuízos ao atendimento médico. Em decisão anterior, do dia 18 de dezembro, a Justiça já havia solicitado que o DF apresentasse informações detalhadas sobre os repasses realizados em 2025 e as medidas adotadas para manter o atendimento no hospital.

Após essa decisão, o Ministério Público informou que, a partir de 30 de dezembro, o hospital poderia fechar 24 leitos de UTI, suspender atendimentos de pacientes de fora do domicílio, cancelar exames agendados e interromper o pagamento de férias dos trabalhadores a partir de 6 de janeiro.

Ao analisar o caso, a juíza plantonista entendeu que havia urgência, destacando que o atraso nos repasses estava causando prejuízos graves ao serviço de saúde, inclusive durante o recesso do Judiciário. A magistrada ressaltou que a ação envolve a continuidade de um serviço público essencial de saúde pediátrica.

O processo tramita na 8ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal e ainda cabe recurso da decisão.

Em nota, a Secretaria de Saúde do DF informou que realizou um repasse de R$ 15 milhões na segunda-feira (5) e que a liquidação dos valores restantes foi concluída na terça-feira (6), com compensação bancária prevista entre os dias 7 e 8 de janeiro. A pasta também afirmou que o repasse regular de janeiro, no valor de R$ 33 milhões, está em tramitação administrativa.

Já o Hospital da Criança de Brasília informou que, no dia 5 de janeiro, recebeu um repasse de R$ 10.950.258,00, mas que as medidas de contingência seguem em vigor até que haja condições financeiras para a retomada completa do atendimento. Atualmente, a unidade possui 212 leitos, sendo 58 de UTI, com 24 leitos de UTI e 65 de internação temporariamente bloqueados.

Na decisão, a juíza Camila Thomas também apontou a falta de explicações claras por parte do Governo do Distrito Federal sobre os atrasos nos repasses.