Investigação aponta falta de arrependimento em mortes de pacientes na UTI de hospital do DF
20 janeiro 2026 às 09h56

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A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a morte de três pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Segundo a apuração, as mortes teriam sido causadas por ações criminosas cometidas dentro da unidade hospitalar, com a aplicação irregular de medicamentos e outras substâncias diretamente na veia das vítimas.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Mauricio Iacozzilli, o principal suspeito é o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, preso em Águas Lindas de Goiás. Ainda segundo a polícia, além de agir de forma planejada, o técnico não demonstrou arrependimento durante o interrogatório, tratando os fatos com frieza mesmo diante da gravidade das mortes.
As vítimas são João Clemente Pereira, de 63 anos, supervisor de manutenção da Caesb; Marcos Moreira, de 33 anos, carteiro; e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, professora aposentada. Todos estavam internados na UTI do hospital particular quando morreram após receberem medicamentos e outras substâncias de forma considerada irregular pela investigação.
A polícia aponta que o técnico teria acessado computadores utilizados por médicos e, usando dados de dois profissionais, falsificado receitas para obter um medicamento controlado e potencialmente fatal. Com a medicação em mãos, ele teria preparado seringas fora dos protocolos exigidos em uma UTI e escondido o material antes das aplicações.
Durante as paradas cardíacas dos pacientes, o comportamento do técnico chamou a atenção dos investigadores. Segundo o delegado, ele permanecia sem iniciar os procedimentos de emergência e só passava a agir quando outras pessoas entravam no quarto, o que, para a polícia, servia para tentar afastar suspeitas.
Outras duas técnicas de enfermagem também foram presas e indiciadas por homicídio doloso e qualificado. Uma delas, Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, era estagiária e acompanhava o principal suspeito durante o treinamento. Para a polícia, ela presenciou as irregularidades e se omitiu. A outra investigada, Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, teria ajudado em duas das três mortes, observando a movimentação no local e dificultando a visão de terceiros.
Inicialmente, o técnico negou os crimes e disse apenas cumprir ordens médicas. Após ser confrontado com imagens das câmeras do hospital, ele confessou. As justificativas apresentadas, como cansaço do plantão e tentativa de aliviar o sofrimento das vítimas, foram descartadas pela polícia.
As investigações continuam, e a Polícia Civil informou que não descarta a possibilidade de existirem outras vítimas, tanto no mesmo hospital quanto em unidades onde os profissionais investigados tenham trabalhado anteriormente.
A reportagem tentou localizar a defesa dos suspeitos pelas mortes dos pacientes, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
