Celina Leão anuncia ocupação do Centro Administrativo do DF e prevê economia de R$ 1 bilhão em cinco anos
09 junho 2026 às 16h24

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Por Cintia Ferreira
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), detalhou nesta terça-feira (9) o plano de ocupação do Centro Administrativo do Distrito Federal (CAD), antigo Centrad, complexo localizado em Taguatinga que permanece fechado há mais de 12 anos, apesar de ter sido inaugurado em 2014.
Durante coletiva de imprensa, Celina afirmou que a transferência gradual de órgãos do Governo do Distrito Federal (GDF) para o local ocorrerá sem a aquisição de novos móveis e sem impactos significativos para o trânsito da capital. Segundo ela, serão realizados apenas reparos pontuais para adequar os prédios à utilização, como serviços de pintura, impermeabilização e manutenção estrutural.
A estimativa do governo é investir cerca de R$ 1,8 milhão em cada um dos cinco blocos do complexo. Em contrapartida, a expectativa é economizar aproximadamente R$ 1 bilhão ao longo de 60 meses com a redução dos gastos atualmente destinados ao aluguel de imóveis utilizados por secretarias e órgãos públicos. “A descentralização administrativa também contribui para melhorar a mobilidade urbana. O Distrito Federal concentra mais de 70% dos deslocamentos diários em direção ao Plano Piloto, e precisamos estimular o desenvolvimento de outras regiões, como Taguatinga e Ceilândia”, afirmou a governadora.
Primeira etapa deve ser concluída em até 90 dias
De acordo com o cronograma apresentado pelo GDF, a primeira fase da ocupação prevê a utilização de cerca de 31% da estrutura do CAD nos próximos 90 dias.
Entre os órgãos que serão transferidos para o local estão a Secretaria de Obras, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), a Secretaria de Mobilidade (Semob), a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), o DF Legal, a Casa Civil e o próprio gabinete da governadora.
Segundo o governo, os gastos anuais com aluguel dessas estruturas somam milhões de reais. A previsão de economia por órgão inclui:
Secretaria de Obras: R$ 3 milhões por ano;
Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação: R$ 5,5 milhões por ano;
Secretaria de Mobilidade: R$ 3,2 milhões por ano;
Secretaria do Meio Ambiente: R$ 3,1 milhões por ano;
DF Legal: R$ 3,5 milhões por ano.
Atualmente, o Distrito Federal desembolsa cerca de R$ 168 milhões por ano com contratos de aluguel de imóveis para funcionamento de repartições públicas.
Imóvel está em pacote de garantias do BRB
Questionada sobre a inclusão do antigo Centrad no pacote de imóveis previsto na legislação que autorizou medidas para reforçar o caixa do Banco de Brasília (BRB), Celina afirmou que a utilização do prédio pelo governo não será comprometida. Segundo a governadora, a legislação apenas autoriza a utilização do imóvel como garantia em eventuais operações, sem obrigar sua negociação. “A gente está buscando outras alternativas jurídicas. Não estamos colocando esse imóvel em nenhuma negociação neste momento”, declarou.
Disputas judiciais marcaram história do empreendimento
A ocupação do Centro Administrativo encerra um dos capítulos mais longos da história recente da administração pública do DF. O complexo foi construído por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) firmada entre o Governo do Distrito Federal e um consórcio formado pelas empresas Via Engenharia e Odebrecht.
O contrato previa investimentos estimados em R$ 6 bilhões ao longo de 22 anos. Além da construção dos prédios, as empresas seriam responsáveis por serviços como manutenção, limpeza e segurança, mediante pagamento mensal estimado em R$ 17 milhões.
Apesar da inauguração simbólica realizada em 2014, no último dia da gestão do então governador Agnelo Queiroz (PT), o centro administrativo nunca entrou em funcionamento. Nos anos seguintes, questionamentos sobre a legalidade do contrato, impasses judiciais e investigações relacionadas à Operação Lava Jato impediram a ocupação da estrutura.
Em 2020, a Justiça determinou a suspensão de repasses públicos ao consórcio responsável pela obra. Dois anos depois, o GDF conseguiu anular o contrato da PPP.
Desde então, o governo assumiu a responsabilidade pela segurança do complexo, que passou anos fechado e foi alvo de invasões, furtos, vandalismo e depredações.
Agora, após mais de uma década de paralisação, o Executivo distrital aposta na ocupação do espaço como solução para reduzir despesas públicas e descentralizar parte da estrutura administrativa do governo.
