Influenciadores ajudavam a vender anabolizantes clandestinos, diz PCDF
12 agosto 2026 às 13h39

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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou a Operação Narciso e desarticulou uma organização criminosa suspeita de fabricar, distribuir e comercializar anabolizantes, termogênicos e outras substâncias controladas de forma clandestina. Segundo a investigação, influenciadores, treinadores e profissionais ligados ao universo fitness participavam da divulgação dos produtos e da captação de clientes.
A operação foi conduzida pela Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf). As investigações começaram após a polícia apreender o celular de um dos suspeitos apontados como líder de um dos núcleos da organização. No aparelho, os investigadores encontraram mensagens que, segundo a PCDF, detalhavam a estrutura e o funcionamento do esquema.
De acordo com a polícia, os produtos eram fabricados de maneira artesanal e em condições precárias, em residências e depósitos improvisados. As substâncias eram produzidas sem controle de esterilidade, pureza ou segurança sanitária, o que poderia representar riscos aos consumidores.
Para tentar dar aparência de legitimidade aos produtos, o grupo utilizava embalagens e rótulos com nomes em língua estrangeira e bandeiras de outros países. Segundo a investigação, a estratégia simulava a existência de laboratórios estrangeiros ou imitava marcas conhecidas no mercado.
Influenciadores ajudavam na divulgação
A investigação identificou uma estrutura voltada também para o marketing e a venda dos produtos nas redes sociais. Academias ligadas ao esquema eram utilizadas para a divulgação das substâncias, enquanto 22 perfis em redes sociais foram alvo de determinação judicial para exclusão ou bloqueio. Um dos perfis conhecidos é do personal trainer que se envolveu em briga com “mendigo” Givaldo. O acusado utilizava as redes sociais e popularidade para divulgar os produtos e contribuir com as vendas.
Segundo a PCDF, profissionais de diferentes áreas também participavam da engrenagem. Designers produziam a identidade visual das marcas clandestinas, enquanto nutricionistas e treinadores recomendavam as substâncias e davam respaldo ao consumo.
A polícia também identificou a participação de médicos veterinários que, segundo as investigações, emitiam receitas falsas para facilitar a compra de medicamentos de uso controlado em estabelecimentos agropecuários.
Uma gráfica também fazia parte da estrutura. O estabelecimento produzia rótulos e embalagens sob encomenda e, de acordo com a investigação, apagava os arquivos de impressão das máquinas para dificultar a identificação da origem do material.
Esquema movimentava dinheiro por contas de terceiros
A organização também teria criado uma estrutura para ocultar o dinheiro obtido com a venda dos produtos. Segundo a PCDF, o grupo utilizava contas de terceiros, empresas de fachada, chaves Pix e contas bancárias de parentes para receber pagamentos.
A investigação apontou ainda o uso de contas em casas de apostas virtuais e plataformas de jogos de quota fixa para movimentar, fracionar e transferir os valores, dificultando o rastreamento das operações financeiras.
O dinheiro também circulava entre diferentes estados e contava, segundo a polícia, com a atuação de doleiros, que indicavam contas bancárias para pulverizar os depósitos.
As ações da Operação Narciso ocorreram em diferentes estados e revelaram uma estrutura interestadual de fabricação, armazenamento e distribuição.
No Distrito Federal, estavam concentradas bases de fabricação e armazenamento, além de academias usadas na divulgação dos produtos e da gráfica responsável pelas embalagens.
Em Goiás, os investigadores atuaram em depósitos próximos à divisa com o DF, em uma farmácia de manipulação e em endereços relacionados à movimentação financeira do grupo.
Na Paraíba, a polícia identificou um laboratório que funcionava em João Pessoa. No Paraná, as investigações se concentraram em Foz do Iguaçu, apontada como ponto de fornecimento das substâncias para outros estados.
A rede também alcançava cidades do Acre e de Minas Gerais, utilizadas para o escoamento dos produtos e para a localização de patrimônio dos investigados.
Prisões e bloqueio de R$ 32 milhões
Ao todo, a Justiça autorizou 45 mandados de prisão contra líderes, articuladores logísticos e intermediários financeiros. Também foram expedidos 50 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas.
A Justiça determinou ainda o bloqueio de valores em contas bancárias e instituições financeiras ligadas aos investigados. O montante ultrapassa R$ 32 milhões.
A decisão também autorizou o sequestro de 11 veículos de luxo, entre carros de marcas premium, caminhonetes, um SUV e uma motocicleta de alta cilindrada.
Além disso, 13 estabelecimentos comerciais e laboratórios de manipulação tiveram as atividades suspensas e foram lacrados.
A investigação também resultou na quebra dos sigilos bancário e telemático dos suspeitos e na determinação de bloqueio e exclusão dos 22 perfis usados, segundo a polícia, para divulgar os produtos e atrair compradores.
A PCDF informou que as medidas fazem parte da apuração sobre a atuação da organização criminosa na fabricação clandestina, distribuição, divulgação e comercialização das substâncias em diferentes regiões do país.
