Educação do DF piora no ensino médio e expõe problemas que vão além dos números do Ideb
03 setembro 2026 às 09h55

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O resultado do ensino médio do Distrito Federal no Ideb acendeu um alerta sobre a situação da educação pública na capital federal. Com nota 4,1, abaixo da média nacional de 4,5 e inferior aos 4,2 registrados anteriormente, o DF foi a única unidade da Federação a apresentar queda no índice. O desempenho trouxe novamente para o centro do debate problemas relatados por estudantes, famílias e profissionais da rede, como falta de materiais, salas cheias, ausência de estrutura adequada e dificuldades enfrentadas por professores.
Mais do que uma nota, o resultado evidencia desafios que fazem parte da rotina de muitas escolas públicas do Distrito Federal. Entre os relatos compartilhados pela população estão a falta de papel e equipamentos, dificuldades para imprimir materiais, escassez de recursos pedagógicos e a sobrecarga enfrentada pelos profissionais.
Uma moradora relatou que, segundo sua experiência, até materiais básicos faltam em algumas escolas. “Acreditem, falta papel! Se quiser canetão a gente tem que comprar, não tem jogos, não tem impressora colorida”, desabafa.
Na mesma linha, Maira apontou problemas relacionados à estrutura das escolas e às condições de trabalho dos professores na rede de ensino público do Distrito Federal. Ela citou salas cheias, falta de suporte para alunos com necessidades específicas, profissionais adoecidos e falta de recursos básicos. “Desvalorização dos professores, salas cheias de alunos laudados sem nenhum suporte, professores adoecidos, gestões tóxicas, ‘famílias’ agredindo professores, escolas sem recursos, nem folha e impressora não tem… e muito mais… só quem vive, que sabe!”
Problemas que aparecem no dia a dia
A dificuldade não se resume à falta de equipamentos. Para quem está dentro das escolas, a qualidade do ensino também passa pelas condições oferecidas aos profissionais que trabalham diariamente com os alunos.
A falta de estrutura, a sobrecarga, a dificuldade de oferecer atendimento adequado aos estudantes e os conflitos no ambiente escolar são apontados como fatores que afetam a rotina das unidades de ensino.
Outro relato, de Ricardo Garcia, relacionou o desempenho da educação às condições de trabalho e à valorização dos profissionais. Segundo ele, professores e trabalhadores da área enfrentam desgaste e falta de reconhecimento. “São profissionais esgotados, desvalorizados e humilhados pelo GDF.”
O relato também questiona as prioridades adotadas pelo governo na distribuição de recursos e na contratação de servidores. Para Erica, a discussão sobre o desempenho da educação precisa ultrapassar os índices e chegar às condições concretas oferecidas à população. “Quem governa precisa entender que saúde e educação não são favores, são direitos básicos.”
Mudança no comando da Educação
A queda no desempenho do ensino médio também teve consequência na gestão da área. A governadora Celina Leão (PP) decidiu trocar o comando da Secretaria de Educação. Sai Lédes Braga e entra Thiago Peixoto, ex-secretário de Educação de Goiás e Florianópolis.
A mudança ocorre em meio ao debate sobre os resultados da rede e sobre quais medidas podem ser adotadas para melhorar o desempenho dos estudantes.
O desafio, no entanto, vai além da troca de nomes. A educação pública do DF precisa enfrentar problemas que aparecem no cotidiano das escolas e que não são traduzidos por uma única nota: estrutura física, disponibilidade de materiais, suporte aos alunos, condições de trabalho e valorização dos professores.
A educação que os números não mostram
Os dados do Ideb ajudam a medir o desempenho da rede, mas os relatos de quem vive a realidade das escolas mostram uma outra dimensão do problema.
Quando faltam materiais básicos, profissionais trabalham sobrecarregados e escolas enfrentam dificuldades para atender adequadamente os alunos, o impacto pode aparecer não apenas nas avaliações, mas também na rotina de milhares de estudantes.
A queda no índice, portanto, funciona como um sinal de alerta para um problema maior: o desafio de garantir que a educação pública do Distrito Federal tenha estrutura, profissionais valorizados e condições para oferecer aos estudantes um ensino de qualidade.
