Faixa no centro de Brasília questiona Celina Leão sobre crise do BRB
01 outubro 2026 às 10h51

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Uma faixa com a foto da governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), e a frase “Cadê Celina? O dinheiro do BRB?” chamou a atenção de quem passou pela região central de Brasília nesta quinta-feira (01). A manifestação ocorre em meio ao debate político sobre a situação financeira do Banco de Brasília (BRB), controlado pelo Governo do Distrito Federal, e à cobrança pela divulgação das demonstrações financeiras da instituição.
A mensagem faz referência a uma das principais questões que passaram a ocupar a campanha eleitoral no DF: o impacto das operações realizadas pelo BRB com o Banco Master e as medidas adotadas pelo governo para reforçar o capital da instituição.
O assunto também domina parte dos debates entre candidatos ao Governo do Distrito Federal. Desde quando assumiu o governo, com a saída de Ibaneis Rocha (MDB), Celina prometeu transparência e divulgar os balanços, porém, há quatro anos à frente do Executivo do DF e os balanços do banco não foram apresentados, nem mesmo para conseguir convencer os credores para injetar recursos para socorrer o Banco Regional de Brasília (BRB).
Entre eles, Kiko Caputo (Novo) questionou a demora na apresentação dos resultados financeiros e fez acusações contra a gestão distrital. “A candidata Celina já confessou o crime. Ela não publica o balanço do banco porque ela sabe que o balanço está negativo e o banco quebrou. Eles conseguiram quebrar o banco”, declarou.
Balanços no centro das cobranças
A demora na divulgação dos resultados financeiros do BRB se tornou um dos principais pontos de pressão sobre a instituição. Em junho, Celina chegou a afirmar que o banco precisaria de mais 15 dias para apresentar o balanço financeiro de 2025. Logo depois, ela recuou e disse que não poderia publicar o balanço, visto que poderia comprometer as operações com os bancos financiadores dos recursos.
A publicação dos números é considerada relevante para dimensionar os impactos das operações envolvendo o Banco Master e a necessidade de capitalização do BRB.
As críticas ganharam força depois que relatórios e investigações passaram a apontar perdas bilionárias relacionadas às operações do BRB com ativos ligados ao Master. Reportagem publicada em setembro, com base em relatório do Banco Central, apontou um prejuízo potencial de R$ 11,4 bilhões, enquanto outros cálculos utilizados nas discussões sobre a capitalização trabalham com valores diferentes.
Operação de até R$ 6,6 bilhões
Em junho, a Câmara Legislativa aprovou projeto que ratificou acordo para permitir ao GDF contratar uma operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões destinada ao fortalecimento financeiro do BRB. O texto recebeu 11 votos favoráveis, nove contrários e uma abstenção.
A proposta prevê contragarantias do Distrito Federal e integra o conjunto de medidas formuladas para recompor o patrimônio do banco após os prejuízos associados às operações com o Master.
O acordo também trouxe consequências para a política fiscal do DF. O texto aprovado pela CLDF previa restrições a novos concursos e alterações de carreiras com aumento de despesas enquanto determinadas condições financeiras não fossem cumpridas. Parte das regras acabou sendo objeto de vetos na sanção da governadora.
TCDF bloqueou bens de ex-dirigentes
As operações entre BRB e Master também estão sob análise do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). Em setembro, a Corte determinou cautelarmente o bloqueio de bens de cinco ex-dirigentes do banco, entre eles o ex-presidente Paulo Henrique Costa.
O bloqueio é limitado globalmente a R$ 2,76 bilhões e foi determinado pelo prazo de um ano. A medida foi adotada no processo que apura responsabilidades relacionadas às operações realizadas pelo BRB com o Banco Master.
A decisão é cautelar e não representa condenação definitiva dos envolvidos.
Com o BRB transformado em um dos principais temas da campanha pelo Palácio do Buriti, a faixa instalada no centro da capital leva para as ruas uma cobrança que já vinha aparecendo nos debates eleitorais e torna um coro público de ter transparência na real situação da instituição financeira.
