O Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) afirma que tenta, há cerca de duas semanas, retomar as reuniões com a Secretaria de Educação (SEEDF), mas ainda não obteve resposta aos pedidos de negociação. A entidade diz que a falta de diálogo mantém indefinições sobre temas que afetam diretamente os profissionais da rede pública, entre eles o Concurso de Remanejamento, o calendário escolar de 2027 e problemas relacionados ao EducaDF.

A principal preocupação apresentada pelo sindicato é com o remanejamento dos servidores do magistério. O procedimento permite a movimentação de profissionais entre unidades escolares e Coordenações Regionais de Ensino e tem impacto direto na organização da rede para o próximo ano letivo.

A preocupação ocorre porque as próprias normas da Secretaria de Educação determinam que o procedimento seja realizado anualmente.

A Portaria nº 352, de 10 de agosto de 2026, estabelece que o Remanejamento Interno e Externo ocorre anualmente, conforme edital próprio publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), e deve ser disponibilizado e efetivado pela internet, por meio do EducaDF Digital.

Apesar da previsão, segundo o Sinpro, a categoria ainda aguarda informações sobre o processo referente ao próximo ano.

A entidade afirma que, em mais de quatro décadas, o Concurso de Remanejamento deixou de ser realizado em apenas duas ocasiões: em 1999, durante o governo Joaquim Roriz, e em 2007, na gestão José Roberto Arruda.

O sindicato teme que a demora nas definições comprometa o procedimento neste ano. Até o momento, porém, não há confirmação da Secretaria de Educação de que o concurso será cancelado.

Sindicato diz que pedidos de reunião não tiveram resposta

De acordo com o Sinpro, as tentativas de reunião com a Secretaria de Educação ocorrem há cerca de duas semanas.

A entidade afirma que uma mesa permanente de negociação foi estabelecida após a greve da categoria, com participação das secretarias de Educação, Economia e Casa Civil, mas sustenta que os encontros não vêm ocorrendo como previsto.

Para a diretora do sindicato Márcia Gilda, a falta de reuniões dificulta inclusive o repasse de informações oficiais aos profissionais da educação. “O descaso do GDF com a categoria tem prejudicado a educação pública. Sem reuniões periódicas, não podemos sanar as dúvidas diárias dos educadores nem repassar informações oficiais, o que gera um clima de incerteza e ansiedade. Exigimos a retomada imediata dos canais oficiais de diálogo e o respeito aos professores e orientadores educacionais”, afirmou.

Calendário de 2027 também entra na cobrança

Além do remanejamento, o sindicato cobra definições sobre o calendário escolar de 2027.

Segundo a entidade, a falta de informações interfere no planejamento das escolas e deixa equipes gestoras, professores e orientadores educacionais sem respostas sobre a organização do próximo ano letivo.

Outro ponto levantado é o EducaDF Digital, sistema utilizado pela Secretaria de Educação para diferentes procedimentos administrativos e de gestão da rede — inclusive o próprio remanejamento dos servidores.

O Sinpro afirma que problemas no sistema continuam afetando os profissionais e demonstra preocupação também com o registro da frequência dos estudantes beneficiários de programas sociais.

“Além do mais, o governo Celina não conseguiu resolver problemas, como é o caso do EducaDF, situação que além de prejudicar a categoria do ponto de vista da saúde, também gera preocupação com relação aos estudantes da rede pública que recebem o ‘Pé-de-Meia’ e outros programas sociais e precisam atestar a frequência”, afirmou o diretor do Sinpro Cléber Soares.

Celina não participou de debate promovido pelo sindicato

As críticas são feitas na reta final da campanha eleitoral no Distrito Federal. O Sinpro afirma que apresentou aos candidatos ao Palácio do Buriti uma pauta de reivindicações para 2026/2027. O documento, aprovado pela categoria, reúne 181 reivindicações, divididas em quatro eixos, além de 11 recomendações ao GDF.

Segundo o sindicato, oito candidatos receberam a pauta apresentada pela entidade. O Sinpro afirma que a governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição, não marcou agenda para receber o documento e também não participou do debate eleitoral organizado pelo sindicato.

A entidade relaciona essas ausências às dificuldades que afirma enfrentar para manter interlocução com o governo. As acusações de falta de diálogo e de esvaziamento das mesas de negociação representam, porém, a posição do Sinpro.

A reportagem procurou a Secretaria de Educação do Distrito Federal para saber quando será publicado o edital do Concurso de Remanejamento previsto nas normas da própria pasta, qual é a previsão para definição do calendário escolar de 2027 e quantas reuniões foram realizadas com o Sinpro desde o acordo que encerrou a greve.

A pasta também foi questionada sobre os pedidos recentes de reunião apontados pelo sindicato, o funcionamento do EducaDF Digital e as críticas apresentadas pela entidade.

O espaço permanece aberto para manifestação da Secretaria de Educação e do Governo do Distrito Federal.