Uma dívida de aproximadamente R$ 250 mil e disputas envolvendo cobranças de dinheiro estão no centro da investigação sobre a chacina que deixou quatro mortos em Formosa, no Entorno do Distrito Federal. A Polícia Civil de Goiás concluiu o inquérito e indiciou três homens suspeitos de participar dos assassinatos, ocorridos em 11 de agosto, no Setor Parque Lago.

Entre os indiciados estão o policial militar aposentado Matusalém Silveiro, o filho dele, Maurício Correia, e Rodrigo Barbosa, apontado como amigo da família. Os três foram indiciados por quatro homicídios triplamente qualificados, associação criminosa armada e posse ilegal de acessório de uso restrito.

De acordo com o Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Formosa, as vítimas foram atraídas até o endereço sob a promessa de resolver uma pendência financeira e recuperar um veículo que estava retido.

O encontro, entretanto, teria sido planejado como uma emboscada. Ao chegarem ao imóvel, os quatro homens foram surpreendidos por uma sequência de disparos de armas de fogo, sem possibilidade de reação, conforme a conclusão policial.

As vítimas

Os quatro homens assassinados foram identificados como:

Luís Antônio Rodrigues, de 58 anos, conhecido como Nego;

Gustavo Fernandes Graças, de 30 anos;

André Luiz Ferreira Silva, de 41 anos, conhecido como Tarobá;

Gustavo Aurélio Miguel, de 31 anos.

As vítimas foram atingidas nas proximidades da residência do policial militar aposentado. A perícia identificou um grande volume de disparos, incluindo tiros efetuados com armas de alto poder de fogo.

Investigação aponta esquema de cobranças violentas

O trabalho dos investigadores revelou que o episódio pode estar relacionado a uma estrutura criminosa que atuaria na cobrança de dívidas em Formosa e São João d’Aliança. Segundo a Polícia Civil, os indiciados integrariam uma associação armada com divisão de tarefas e atuação contínua em práticas como extorsões, ameaças e cobranças violentas.

A apuração também identificou elementos relacionados à prática de agiotagem, envolvendo o grupo investigado e terceiros. A dívida de R$ 250 mil aparece como um dos principais pontos da investigação sobre a motivação do crime. A polícia, no entanto, não detalhou publicamente todas as circunstâncias da negociação financeira que antecedeu os assassinatos.

Suspeito alegou legítima defesa

Na madrugada seguinte à chacina, os três investigados compareceram à delegacia, prestaram depoimento e foram liberados. Em declaração divulgada após o crime, Matusalém afirmou que havia agido em legítima defesa. Segundo sua versão, as vítimas chegaram ao imóvel e um dos disparos teria partido de dentro de uma caminhonete.

A versão apresentada pelo policial aposentado, porém, contrasta com a conclusão da investigação, que aponta uma emboscada previamente organizada. Matusalém foi preso três dias após o crime. Já Maurício Correia e Rodrigo Barbosa permaneceram foragidos por aproximadamente duas semanas, até serem localizados e presos em 31 de agosto, no Rio de Janeiro.

Imagens apagadas e armas apreendidas

Outro elemento considerado relevante pelos investigadores foi a recuperação de gravações de câmeras de segurança instaladas na residência de um dos suspeitos, em frente ao local onde ocorreu a chacina. Segundo a Polícia Civil, existem indícios de que os registros tenham sido apagados intencionalmente.

O material foi recuperado e permanece sob análise pericial para ajudar a esclarecer a sequência dos disparos e a participação de cada investigado. Durante as buscas, os policiais também apreenderam armas de fogo, munições e acessórios, incluindo supressores de ruído, conhecidos como silenciadores.

A Polícia Federal confirmou, segundo a investigação, que os acessórios de uso restrito estavam sem os registros ou autorizações exigidas. Diante da quantidade de armas vinculadas aos investigados, a Polícia Civil também solicitou à Polícia Federal a adoção de providências administrativas relacionadas aos registros existentes.

Prisões preventivas

Com a conclusão do inquérito, o procedimento foi encaminhado à Justiça. A autoridade policial pediu a manutenção das prisões preventivas dos três indiciados, sob o argumento de necessidade de preservação da ordem pública e proteção da investigação e da futura instrução criminal.

Embora a Polícia Civil tenha concluído sua apuração, o indiciamento não representa condenação. Caberá ao Ministério Público avaliar as provas reunidas e decidir sobre o oferecimento de denúncia à Justiça.

O caso ainda poderá ter novos desdobramentos, especialmente a partir da análise das imagens recuperadas e da apuração sobre possíveis outros envolvidos nas cobranças investigadas.