Homem suspeito de matar casal no DF teria ameaçado vizinho após ele defender vítima de violência doméstica
12 outubro 2026 às 13h15

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Uma intervenção para proteger uma mulher de episódios de violência doméstica pode estar por trás do assassinato de um casal em Ceilândia, no Distrito Federal. Essa é uma das linhas de investigação da Polícia Civil, que prendeu em flagrante, no domingo (11), João Victor Rodrigues Alves de Oliveira, de 22 anos, suspeito de matar os vizinhos Alan Tons, de 26 anos, e Larissa Rodrigues, de 23.
O casal foi encontrado morto dentro da residência onde morava. Segundo a Polícia Militar, testemunhas relataram ter ouvido vários disparos de arma de fogo durante a madrugada, por volta das 2h30.
A investigação aponta que Alan havia se desentendido com o suspeito após intervir em defesa da companheira de João Victor, que, segundo os depoimentos, sofria violência doméstica. A partir desse episódio, o jovem teria passado a ameaçar o vizinho de morte.
A prisão ocorreu poucas horas após a descoberta do crime, depois que investigadores identificaram inconsistências no depoimento apresentado pelo suspeito.
Ameaças fizeram vítima deixar a própria casa
As investigações conduzidas pela 15ª Delegacia de Polícia revelaram que o conflito entre Alan e João Victor não era recente. Segundo a Polícia Civil, o suspeito já havia sido preso em flagrante duas vezes em 2026, nos meses de março e setembro, por crimes praticados contra a própria companheira. Ele também era investigado por possível descumprimento de medida protetiva de urgência.
Testemunhas relataram que, em setembro, João Victor teria ameaçado Alan de morte e chegado a entrar na residência dele portando uma arma de fogo. A gravidade das ameaças levou Alan a deixar o imóvel e buscar abrigo na casa de familiares.
O jovem decidiu retornar posteriormente, ao tomar conhecimento de que o suspeito havia sido preso e não morava mais no local.
Outro detalhe identificado pelos investigadores chamou a atenção: mesmo depois de deixar o imóvel, João Victor teria permanecido com as chaves do lote, o que lhe permitiria acessar o endereço onde as vítimas foram encontradas.
Contradições levaram à prisão
Após o duplo homicídio, a Polícia Civil iniciou a coleta de depoimentos e a análise de elementos que pudessem esclarecer as circunstâncias das mortes.
Mais de oito testemunhas foram ouvidas. Os investigadores também examinaram imagens de câmeras de segurança, conversas e outras informações relacionadas ao caso.
Com o avanço das diligências, o histórico de conflitos entre o suspeito e Alan passou a ser considerado relevante para a apuração.
Ao descobrir que estava sendo procurado, João Victor compareceu a uma delegacia. Durante o depoimento, entretanto, apresentou declarações que, segundo a polícia, entraram em contradição com informações fornecidas pelas testemunhas.
As inconsistências, somadas aos demais elementos reunidos pela investigação, motivaram a prisão em flagrante.
Polícia investiga circunstâncias das mortes
A Polícia Civil busca esclarecer a dinâmica do crime e confirmar a possível relação entre os homicídios e as ameaças anteriores.
A hipótese investigada é de que o conflito tenha se intensificado depois que Alan interveio em defesa da companheira do suspeito.
O histórico de violência doméstica, os relatos de ameaças e a possibilidade de acesso ao imóvel estão entre os elementos analisados pelos investigadores.
João Victor permanece na condição de suspeito, e a responsabilidade pelos homicídios ainda deverá ser apurada no curso da investigação.
O caso segue sob responsabilidade da 15ª Delegacia de Polícia de Ceilândia.
