Condenado a 14 anos por mandar matar adolescente, ex-deputado Carlos Xavier é considerado foragido no DF
08 outubro 2026 às 10h28

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O ex-deputado distrital Carlos Xavier (Democracia Cristã), condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato de um adolescente de 16 anos, em 2004, é considerado foragido da Justiça no Distrito Federal. A Polícia Civil (PCDF) realizou buscas em endereços conhecidos do ex-parlamentar, mas não conseguiu localizá-lo.
Segundo o delegado Lucio Valente, diretor da Divisão de Comunicação da PCDF, foram feitas diversas diligências para encontrar Xavier. Como ele não foi localizado e também não se apresentou às autoridades, passou a ser considerado foragido.
A condenação foi publicada em setembro deste ano, 22 anos após o assassinato de Ewerton da Rocha Ferreira, encontrado morto com dois tiros na cabeça, no Recanto das Emas.
Apesar da decisão judicial, o cumprimento da prisão precisou aguardar o fim do período de imunidade eleitoral. Isso porque Carlos Xavier disputou uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) pelo Democracia Cristã (DC) nas eleições de 2026 e teve 1.814 votos.
O ex-deputado não conseguiu se eleger
De acordo com despacho do juiz Valter André de Lima Bueno Araújo, a prisão somente poderia ser executada após o encerramento da proteção prevista na legislação eleitoral.
O artigo 236 do Código Eleitoral estabelece restrições à prisão de candidatos durante os 15 dias anteriores à eleição. No pleito deste ano, o período começou em 19 de setembro e terminou em 6 de outubro, 48 horas após o encerramento da votação do primeiro turno.
Em nota, a defesa de Carlos Xavier afirmou que a condenação contraria as provas apresentadas no processo e informou que já recorreu da decisão.
Crime ocorreu quando Xavier era deputado
O assassinato de Ewerton da Rocha Ferreira, de 16 anos, ocorreu em 8 de março de 2004, quando Carlos Xavier exercia mandato de deputado distrital pelo então PMDB.
O corpo do adolescente foi encontrado atrás de uma parada de ônibus, nas proximidades do viaduto que liga o Recanto das Emas a Samambaia. A vítima havia sido atingida por dois disparos na cabeça.
Segundo a acusação do Ministério Público, o crime foi motivado por suspeitas de um relacionamento entre o adolescente e a então mulher do parlamentar.
A investigação apontou que Xavier teria decidido encomendar a morte do jovem após a divulgação de supostos relacionamentos extraconjugais da mulher com adolescentes, entre eles Ewerton.
O caso provocou repercussão política no Distrito Federal e levou à cassação do mandato de Carlos Xavier pela Câmara Legislativa. Ele se tornou o primeiro deputado distrital a perder o mandato por decisão da Casa.
Ministério Público apontou pagamento de R$ 15 mil
De acordo com a denúncia, Carlos Xavier contratou Eduardo Gomes da Silva, conhecido como “Risadinha”, para executar o assassinato. O valor combinado teria sido de R$ 15 mil.
Eduardo foi condenado a 19 anos e três meses de prisão por participação no crime. Ainda segundo o Ministério Público, ele teria repassado R$ 2 mil a Leandro Dias Duarte e a um adolescente para realizar a execução.
Leandro recebeu condenação de 15 anos, enquanto a acusação apontou o adolescente envolvido na ação como responsável pelos disparos que mataram Ewerton.
Mais de duas décadas depois do crime, a condenação de Carlos Xavier resultou em uma nova etapa do caso. Com o fim da imunidade eleitoral e sem que o ex-parlamentar fosse localizado nos endereços procurados pela polícia, ele passou a ser considerado foragido da Justiça.
