Chuvas fortes causam alagamentos e atendimentos no DF e Entorno
26 janeiro 2026 às 10h10

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As fortes chuvas que atingiram Brasília e o entorno neste domingo (25/01/2026) provocaram alagamentos, quedas de árvores e mobilizaram equipes dos corpos de bombeiros do Distrito Federal e de Goiás.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), foram registradas 21 ocorrências relacionadas às chuvas ao longo da tarde. Entre os atendimentos estão cinco averiguações para possível corte de árvores, três cortes de árvores realizados, três averiguações de desabamento ou desmoronamento e dez ocorrências de inundação, envolvendo alagamentos em residências e vias públicas. As regiões do Plano Piloto, SIA e Candangolândia concentraram três ocorrências cada. Segundo os bombeiros, não houve vítimas nesses atendimentos.

Uma das ocorrências de alagamento foi registrada na Feira dos Importados. O local ficou completamente tomado pela água, que invadiu lojas e causou danos a objetos e produtos à venda.
Situação semelhante foi registrada no Núcleo Bandeirante, onde a Vila Cauhy voltou a alagar, reacendendo um problema antigo enfrentado pela comunidade durante o período chuvoso. Moradores registraram ruas tomadas pela água e residências invadidas, cenário que, segundo relatos, se repete praticamente todos os anos.
Em 2024, após chuvas intensas que destruíram a Ponte Liverpool, ligação entre a comunidade e o Setor de Oficinas, o Governo do Distrito Federal realizou obras na região por meio da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). As intervenções incluíram a construção de muros de gabiões nas margens do Córrego Riacho Fundo, o alargamento do leito e a reconstrução da passagem de pedestres, com o objetivo de reduzir riscos de erosões, desmoronamentos e alagamentos. Apesar disso, moradores afirmam que as enchentes voltaram a ocorrer neste ano.
Segundo a comunidade, parte das residências está localizada em áreas mais baixas que as vias, o que faz com que a água da chuva escoe diretamente para dentro dos imóveis. Outro ponto citado é a ocupação próxima ao córrego, classificada como área de proteção ambiental, além da falta de regularização fundiária em alguns trechos, fatores que dificultam intervenções urbanas mais amplas.
Moradores também relatam que duas manilhas responsáveis pelo escoamento da água pluvial estão obstruídas, já que há casas construídas sobre essas estruturas, com aterro impedindo a passagem da água. Tentativas de desobstrução com uso de maquinário pesado não tiveram sucesso.
No Entorno do Distrito Federal, em Formosa, o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás atendeu uma ocorrência de queda de árvore na BR-020, no km 60, próximo à descida da Serra do JK. A árvore obstruiu parcialmente a pista e oferecia risco aos motoristas. A equipe do 19º Batalhão Bombeiro Militar realizou o corte e a remoção dos galhos, liberando totalmente a via. Não houve registro de feridos.
Segundo a meteorologista Andréia Ramos, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o período de verão é naturalmente mais chuvoso, com janeiro e fevereiro concentrando os maiores volumes. Ela explicou que sistemas atmosféricos associados à umidade vinda da Amazônia, somados ao calor, favorecem a formação de nuvens de tempestade, que podem provocar chuvas fortes, rajadas de vento e descargas elétricas.
Ainda conforme o Inmet, a média de chuva esperada para janeiro é de cerca de 247 milímetros. Até o dia 25, já haviam sido registrados aproximadamente 232 milímetros, o que representa cerca de 93% da média climatológica do mês.
Dentro desse cenário de instabilidade, uma descarga elétrica atingiu uma manifestação bolsonarista convocada pelo deputado Nikolas Ferreira, na Praça do Cruzeiro, em Brasília. Segundo nota do CBMDF, 89 pessoas foram atendidas no local. Destas, 42 não precisaram ser encaminhadas para hospitais após avaliação pré-hospitalar. Outras 47 vítimas foram levadas para unidades de saúde da rede pública, sendo que 11 demandaram maiores cuidados médicos. Para o atendimento, foram empregadas 32 viaturas e 150 militares.
