O resultado do concurso público da Prefeitura de Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, divulgado na última quinta-feira (29), provocou questionamentos e insatisfação entre candidatos que participaram do certame. Um grupo de aproximadamente 50 concorrentes ao cargo de fiscal de transporte e mobilidade urbana contesta o gabarito definitivo da prova e aponta possíveis erros na correção de questões.

As provas foram aplicadas em 11 de outubro de 2026, sob responsabilidade do Instituto Social da Cidadania Juscelino Kubitschek (IJKMA), banca organizadora do concurso, que ofertou vagas para quatro cargos.

Entre os candidatos que questionam o resultado está o autônomo Johnny Silva, que afirma ter identificado inconsistências em oito questões da avaliação. Segundo ele, os problemas no gabarito definitivo podem ter provocado prejuízo significativo aos participantes, considerando que as perguntas contestadas possuem peso três, o que representaria uma diferença de até 24 pontos na classificação.

Johnny conta que dedicou mais de sete meses à preparação para o concurso e decidiu denunciar o que considera falhas na condução do processo seletivo. “Eu e mais dezenas de candidatos buscamos justiça e queremos que a banca corrija o gabarito. No próprio recurso, ela apresenta a resposta que considera correta, mas, na hora de indicar a letra correspondente, aponta outra alternativa”, relatou.

O candidato afirma que os participantes estão procurando orientação jurídica para avaliar a possibilidade de ingressar com uma ação judicial. O objetivo, segundo ele, é conseguir a revisão das oito questões e a recuperação da pontuação que considera ter sido retirada indevidamente.

Candidatos questionam respostas da banca

A principal reclamação envolve a análise dos recursos apresentados contra o gabarito preliminar. No documento divulgado pela organizadora, a banca apresenta justificativas técnicas para manter as respostas de diversas questões, mas candidatos alegam que algumas explicações não correspondem às alternativas indicadas no resultado oficial.

O material publicado pelo instituto registra o indeferimento dos pedidos de alteração de gabarito ou anulação das questões contestadas. Entre os assuntos avaliados estão interpretação de texto, gramática, matemática, informática, legislação administrativa e conhecimentos específicos relacionados à fiscalização de transporte e mobilidade urbana.

Em algumas respostas, os candidatos sustentam que existem divergências entre a fundamentação apresentada pela própria banca e a alternativa mantida como correta. A situação, segundo os concurseiros, de diversos municípios do Entorno, levanta dúvidas sobre a consistência da análise dos recursos e a confiabilidade do resultado divulgado.

Além dos questionamentos sobre o gabarito, outros participantes manifestaram preocupação com a condução do concurso e solicitaram esclarecimentos sobre possíveis irregularidades no processo.

A candidata Daiana Léllis Sampaio Costa, recepcionista que mora em Ceilândia, relatou à equipe de reportagem, o esforço realizado para conciliar a rotina profissional com a preparação para a seleção pública. Segundo ela, a preparação exigia acordar diariamente às 5h para estudar antes de sair de casa. A candidata deixava sua residência às 7h, utilizando transporte público, e retornava somente à noite.

Daiana afirma que chegou a interromper os estudos durante o período em que o concurso foi suspenso por questões administrativas relacionadas à banca. Com a retomada do certame, voltou à preparação, mantendo uma rotina intensa até a realização das provas.

A candidata considera que os questionamentos apresentados pelos participantes precisam ser esclarecidos e defende transparência na condução do concurso.

Banca mantém gabarito e rejeita recursos

Em resposta às contestações, o Instituto Social da Cidadania Juscelino Kubitschek divulgou o resultado da análise dos recursos contra o gabarito preliminar. No documento, a organizadora informou que os pedidos foram examinados conforme as regras previstas no Edital nº 001/2026.

A banca estabeleceu que os recursos deveriam ser apresentados individualmente, por questão, com fundamentação técnica e dentro do prazo estipulado no cronograma do concurso.

O instituto também esclareceu que, nos casos de anulação de questões, a pontuação correspondente seria atribuída a todos os candidatos que realizaram a prova para o respectivo cargo. Já eventuais mudanças de gabarito implicariam a correção das provas e o recálculo das notas.

Apesar das reclamações, o documento disponibilizado pela organizadora registra o indeferimento dos recursos relacionados às questões contestadas, mantendo as respostas oficiais.

A banca também informou que os recursos de conteúdo idêntico foram agrupados por número de questão para publicação das decisões e respectivas fundamentações.

Judicialização

Diante da manutenção do gabarito definitivo, candidatos afirmam que pretendem buscar outros caminhos para contestar as decisões da organizadora. Um grupo já procura orientação jurídica para avaliar medidas judiciais que possam questionar as respostas e eventual prejuízo à classificação.

Os participantes defendem que a Prefeitura de Águas Lindas de Goiás e a banca organizadora apresentem esclarecimentos sobre as reclamações, especialmente quanto às divergências apontadas nas justificativas dos recursos.