A morte do adolescente Rodrigo Castanheira, de 16 anos, após 16 dias internado em estado gravíssimo, gerou forte comoção no Distrito Federal. O caso aconteceu em Vicente Pires e segue sob investigação da Polícia Civil. Familiares da vítima, a defesa do agressor, autoridades e representantes do governo se manifestaram após a confirmação do óbito. O sepultamento ocorreu na tarde deste domingo (08), no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília.

Na porta do Hospital de Brasília, o tio de Rodrigo, o fisioterapeuta Flávio Henrique Fleury, falou com a imprensa e afirmou que a família acredita no envolvimento de outras pessoas no crime.
“Eu espero muito que tenha mais gente envolvida. Não é só o Pedro. Tinha mais gente no carro. Ele não estava sozinho”, disse.

Segundo Flávio, há indícios de que outra pessoa teria participação direta nos fatos. “Parece que agora foi entendido que teve um mandante. Pelo que eu entendi, esse motorista que estava no carro, menor de idade, foi buscar o Pedro para espancar o Rodrigo”, afirmou.

O tio relatou ainda que, segundo o que a família tomou conhecimento, a motivação estaria ligada a ciúmes. “Esse motorista estava com ciúme do Rodrigo. Pelo que eu sei, era uma amizade normal. Ele estava com ciúme, o relacionamento já tinha terminado”, disse.
Flávio acrescentou: “Ele não teve coragem de encarar uma ex para conversar, nem de encarar o Rodrigo para tirar satisfação”.

Flávio afirmou que, para a família, o ataque não foi algo espontâneo. “Eles passaram várias vezes, deram algumas voltas no quarteirão, esperando o Rodrigo estar sozinho”, declarou.
Segundo ele, houve desproporção entre os envolvidos. “Um cara de 1,90m pegar um garoto de 1,65m é totalmente desproporcional. Isso não é briga de adolescência”, afirmou.

Ainda de acordo com o tio, as imagens do ocorrido reforçam essa avaliação. “Pelas filmagens, você vê que não foi uma briga. Não foi uma briga. Foi para executar mesmo”, disse.
Ele completou: “Murro na cabeça, murro na cabeça. É muito difícil ver isso”.

O tio também falou sobre o sentimento da família neste momento. “O sentimento aqui agora é de impunidade total. É difícil de engolir essa história”, afirmou.
Segundo ele, a família espera que todos os envolvidos sejam responsabilizados. “Eu aguardo ansiosamente que a Justiça vá atrás dessas pessoas. Não é só uma pessoa envolvida”, disse.

A defesa de Pedro Turra divulgou nota lamentando o falecimento de Rodrigo Castanheira. Em nome da família, os advogados afirmaram sentir “profundo respeito e sincera solidariedade” e prestaram condolências aos pais, familiares e amigos do adolescente, desejando força para enfrentar o momento de luto.

O advogado da família de Rodrigo também se manifestou e afirmou que o caso vai além de um processo judicial. Segundo ele, sua atuação busca garantir que a Justiça seja aplicada e que a vida do jovem não seja tratada como algo sem valor.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), se pronunciou por meio das redes sociais e classificou o caso como “um episódio profundamente estarrecedor”. Ele prestou condolências à família e aos amigos de Rodrigo.

A primeira-dama do Distrito Federal, Mayara Noronha Rocha, também se manifestou. Ela destacou a importância do respeito, do limite e da responsabilidade pelas próprias atitudes, além de desejar conforto à família.

Amigos, a escola e locais frequentados por Rodrigo utilizaram as redes sociais para prestar homenagens e se despedir do adolescente.

O delegado-chefe da 38ª Delegacia de Polícia de Vicente Pires, Pablo Aguiar, responsável pela investigação, afirmou que o trabalho foi conduzido com base em fatos e provas e manifestou solidariedade à família.

Relembre o caso

Rodrigo Castanheira, de 16 anos, foi agredido na porta de um condomínio em Vicente Pires, no Distrito Federal, e morreu na manhã deste sábado (7), após passar 16 dias internado em estado gravíssimo.

Segundo a Polícia Civil, a confusão começou após Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, jogar um chiclete em direção ao adolescente, o que deu início à discussão. Durante a agressão, Rodrigo sofreu uma sequência de socos, caiu e bateu a cabeça, sofrendo traumatismo craniano e tendo uma parada cardiorrespiratória.

O jovem foi levado para um hospital particular em Águas Claras, onde permaneceu internado em coma induzido desde a madrugada do dia 23 de janeiro. O Hospital Brasília Águas Claras informou que, apesar dos esforços da equipe médica, o quadro evoluiu para a perda completa e irreversível das funções cerebrais.

Pedro Turra foi inicialmente preso e liberado após pagamento de fiança, mas dias depois a Justiça decretou sua prisão preventiva. Ele está detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Papuda. O Superior Tribunal de Justiça negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa.

Na época, em nota, os advogados afirmaram que Pedro Turra está abatido e profundamente entristecido com o ocorrido, além de demonstrar arrependimento pelos fatos.