O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, e integrantes da diretoria da instituição devem viajar a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, ainda em outubro, para negociar um empréstimo internacional. A tentativa ocorre em meio à crise financeira enfrentada pelo banco após operações bilionárias envolvendo o Banco Master.

A instituição mantém conversas com investidores estrangeiros e avalia alternativas de captação de recursos fora do Brasil. Paralelamente, o BRB também negocia com instituições financeiras nacionais na tentativa de reforçar sua estrutura de capital.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o governo trabalha com a possibilidade de obter aproximadamente R$ 6 bilhões no mercado internacional. A chefe do Executivo demonstrou confiança em uma solução para a situação financeira da instituição, mas não apresentou detalhes sobre as condições do eventual empréstimo.

A busca por investidores estrangeiros ganhou força após o Governo do Distrito Federal (GDF) não conseguir viabilizar uma operação de crédito de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Os recursos seriam destinados à capitalização do BRB, que enfrenta dificuldades financeiras decorrentes de operações realizadas com o Banco Master. A negociação, entretanto, ficou condicionada à obtenção de garantias da União, que não foram concedidas.

O impasse chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita uma ação relacionada à concessão das garantias necessárias para a operação.

Em setembro, Celina Leão já havia se reunido com representantes dos Emirados Árabes Unidos interessados em possíveis aportes financeiros no banco. A nova rodada de negociações representa mais uma tentativa de encontrar alternativas para enfrentar a crise.

BRB busca recursos para recompor capital

O BRB busca uma capitalização de aproximadamente R$ 8,8 bilhões para enfrentar os efeitos das transações com o Banco Master. Até o momento, a instituição conseguiu levantar R$ 1 bilhão por meio de uma operação de securitização da dívida ativa do GDF, estruturada com participação do BTG Pactual. Uma segunda etapa, com previsão de captar outros R$ 1,5 bilhão, ainda não foi concluída.

Outro ponto de preocupação é a ausência de divulgação dos balanços financeiros do BRB desde o segundo trimestre de 2025, situação que aumenta as incertezas sobre a condição patrimonial da instituição.

Apesar das negociações em andamento, ainda não há confirmação sobre a aprovação do financiamento internacional, os investidores envolvidos ou as condições de pagamento. A viagem da diretoria a Dubai deverá representar uma etapa das tratativas para tentar garantir novos recursos ao banco controlado pelo Governo do Distrito Federal.