Por Isabele Mendes

Quem circula pela Estrada Parque Indústrias Gráficas (EPIG), já encontra pistas mais largas, pavimento de concreto e trechos liberados ao tráfego. Ao mesmo tempo, máquinas, áreas isoladas e intervenções ainda fazem parte da paisagem de uma das principais vias da região central de Brasília, oferecendo risco à motoristas, motociclistas e pedestres que utilizam a região. A via liga as principais cidades de Taguatinga, Guará, Sudoeste ao centro da capital, com muitas intervenções, interdições e falta de sinalização.

Iniciada em 2022, a requalificação da via vem sendo inaugurada pontualmente a cada avanço da obra pelo Governo do Distrito Federal, porém, o brasiliense percebe a lentidão de concluir a obra. Com a chegada do período chuvoso, a lama dos canteiros de obras escorre para as vias principais, gerando transtorno aos motoristas.

Com investimento de R$ 160 milhões, a obra pretende transformar a EPIG em um corredor viário mais moderno, com pistas exclusivas para ônibus, melhorias no tráfego e estruturas voltadas a pedestres e ciclistas. Segundo a Secretaria de Obras e Infraestrutura do Distrito Federal (SODF), cerca de 85% dos serviços previstos em contrato já foram executados.

Até o momento, os trechos 1 e 3 foram concluídos e liberados para circulação. A estratégia do Governo do Distrito Federal é colocar cada segmento em funcionamento conforme os serviços são finalizados e apresentam condições de operação. Os demais pontos seguem em obras.

Na prática, essa liberação gradual faz com que estruturas já prontas dividam espaço com canteiros e frentes de trabalho. Para quem depende da EPIG todos os dias, as mudanças são perceptíveis, mas os transtornos ainda fazem parte do percurso.

Pedestres dividem espaço com poeira e estruturas improvisadas. Foto: Isabele Mendes

Motorista há oito anos e funcionário de uma empresa de ônibus, Leandro Filgueira passa pela via de segunda a sexta-feira. Ele lembra que os problemas eram maiores no início das intervenções.

As dificuldades, segundo ele, não ficam restritas a quem está atrás do volante. Leandro também chama atenção para a situação dos pedestres nos locais onde as intervenções permanecem. “Tem pista que não foi concluída. Para os pedestres, tem que transitar na poeira. Está muito difícil”, relata.

Para Leandro, a mudança do pavimento também trouxe benefícios para quem dirige veículos pesados diariamente. Segundo ele, o concreto oferece melhores condições para a circulação dos ônibus. Apesar dos elogios, o motorista considera que ainda há pontos importantes a serem finalizados. “Eles nem terminaram a obra e já inauguraram. Ainda faltam algumas coisas, os retornos principalmente. Se a pessoa quiser fazer um retorno, tem que ir no viaduto que liga o Sudoeste ao Parque da Cidade”, reclama.

Falta de sinalização em alguns trechos torna o percurso arriscado e perigoso aos motoristas, principalmente à noite. Foto: Isabele Mendes

Trânsito ainda pesa na rotina

Nem todos, porém, perceberam uma melhora significativa no deslocamento. Pedro José trabalha no Setor de Indústrias Gráficas (SIG) e utiliza a EPIG há mais de dois anos. Para ele, as mudanças realizadas até agora ainda não foram suficientes para reduzir o tempo gasto no trajeto. “Não mudou minha rotina. O ônibus continua demorando o mesmo tempo para chegar aqui e o trânsito ainda é muito forte no começo da EPIG”, afirma.

Pedro avalia que a própria execução das obras acaba contribuindo para os congestionamentos em determinados pontos. Quando há redução do número de faixas disponíveis, explica, os veículos ficam concentrados em um espaço menor. “As obras diminuem a quantidade de faixas e fazem com que os carros fiquem todos juntos entre duas faixas. Acaba engavetando o trânsito e atrasando para chegar ao trabalho”, conta.

Diversas “armadilhas” estão espalhadas pelos canteiros de obras. Foto: Isabele Mendes

Depois de mais de dois anos convivendo com as intervenções, ele diz ter a impressão de que os trabalhos se prolongam indefinidamente. “A sensação é de que essa obra é infinita. Não sei exatamente o que ainda precisa ser concluído, mas, como estão sempre fazendo alguma coisa, é porque não está bom”, diz.

Governo prevê conclusão da infraestrutura neste ano

Procurada pelo Jornal Opção Brasília/Entorno sobre o andamento dos trabalhos, a Secretaria de Obras informou que a requalificação da EPIG continua em execução e reconheceu que o empreendimento ainda não foi concluído integralmente.  “O Governo do Distrito Federal vem liberando os trechos à medida que as intervenções são finalizadas e apresentam condições de operação para a população”, informou a pasta.

 Atualmente, as principais frentes de trabalho estão concentradas nos trechos 2 e 4. No primeiro, está em fase final a construção do viaduto que fará a ligação entre Sudoeste, Octogonal e EPIG. No trecho 4, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) realiza o remanejamento de uma adutora de água, etapa necessária para a continuidade das intervenções viárias.

 O canteiro instalado nas proximidades da passarela da Octogonal também permanece no local. De acordo com a SODF, a estrutura existe desde o início da execução do empreendimento e continua sendo utilizada para dar suporte às equipes e aos serviços em andamento.

A expectativa da pasta é concluir toda a infraestrutura viária da EPIG até o fim deste ano. Isso, porém, não significará o encerramento de todas as intervenções previstas no projeto. As passarelas subterrâneas destinadas aos pedestres têm entrega estimada para o primeiro semestre de 2027.

O contrato da obra foi firmado na modalidade Regime de Contratação Integrada (RCDI). Nesse modelo, a empresa contratada fica responsável tanto pela elaboração dos projetos quanto pela execução dos serviços. Segundo a Secretaria de Obras, a modalidade permite maior integração entre as etapas e reduz a necessidade de alterações contratuais ao longo da execução.

Enquanto os últimos serviços avançam, a EPIG atravessa um período de transição: parte da estrutura planejada já faz diferença para quem utiliza a via, enquanto outros pontos continuam cercados por máquinas, desvios e canteiros. Entre quem passa pelo local diariamente, a expectativa agora é pela conclusão do que ainda falta. “Quando falam que é inauguração, todo mundo espera que esteja pronto”, desabafa Leandro e emenda: “Esperamos que termine logo.”